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Síria transformou-se numa “grande prisão”

Os serviços de segurança transformaram a Síria, onde mais de mil pessoas foram detidas desde domingo, numa “grande prisão”, denunciou a Organização Nacional dos Direitos Humanos. “No espaço de três dias mais de mil pessoas foram detidas na Síria, metade das quais em Deraa e na sua província”, refere um comunicado citado pela AFP.

“As autoridades prendem todos os que querem manifestar-se, nomeadamente escritores, intelectuais e militantes conhecidos pelas suas reivindicações a favor de reformas”, denunciou a organização. O International Crisis Group considera que a situação se aproxima do “ponto de não retorno”. Para o grupo de reflexão não-governamental, se quer evitar o pior o regime “deve travar imediatamente as forças de segurança, tomar medidas sérias contra os responsáveis pela violência e iniciar um verdadeiro diálogo”.

Mesmo num ambiente repressivo, quase três mil pessoas, segundo um activista citado pela AFP, manifestaram-se ontem em Banias, no Noroeste, para reclamaram o “levantamento do cerco” à cidade e a Deraa, berço da contestação e há mais de uma semana palco de acção militar. Opositores do regime divulgaram também imagens de pequenas manifestações segunda-feira em dois bairros de Homs e no de Midan, em Damasco.

Há ainda informação de concentrações em Hama e Jassem, localidade próxima de Deraa. A organização de direitos humanos Insan contabiliza em 607 o número mortos desde o início dos protestos, em meados de Março, 451 dos quais em Deraa e cidades vizinhas. As detenções estão quantificada em 2130. Na Europa aumentam de tom as críticas ao regime.

O Presidente francês, Nicolas Sarkozy, defende, numa entrevista que hoje é publicada no semanário L’Express, “sanções mais severas”. Alain Juppé, seu ministro dos Negócios Estrangeiros, disse que um Governo que “mata os seus cidadãos” perde a “legitimidade” e que a França quer Assad entre os visados por sanções europeias contra o poder de Damasco.

A Alemanha e o Reino Unido defendem também medidas duras. Só que a questão não é consensual na UE. Segundo a AFP, há unanimidade sobre um embargo à venda de armas, mas não quanto a outras sanções. Os embaixadores dos 27 em Bruxelas encarregaram no final da semana passada os seus técnicos de trabalharem na definição de sanções que, além do embargo de armas poderiam passar pelo congelamento de bens e interdição de vistos. A falta de apoio alargado parece impedir a adopção de uma posição pelo Conselho de Segurança da ONU.

A preocupação com o que se passa na Síria não é apenas da UE. A Turquia também está apreensiva. “A Síria não deve passar por outro massacre como o de Hama”, disse, citado pela Reuters, o primeiro-ministro, Recep Erdogan, referindo-se à morte de cerca de 20 mil islamistas em 1982 por forças de Hafez al-Assad, pai de Bashar.

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