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Síria anuncia acordo com a Liga Árabe sobre conflito

A Síria disse, Terça-feira, que chegou a um acordo com um comité da Liga Árabe encarregado de encontrar uma solução para os sete meses de turbulências no país e de iniciar um diálogo entre o Presidente Bashar al Assad e os seus adversários.

A imprensa estatal noticiou o acordo, sem dar detalhes. Mas uma autoridade da Liga Árabe disse que a organização ainda estava à espera duma reposta de Damasco para suspender o derramamento de sangue, que, segundo activistas, continuava, Quarta-feira (altura do fecho desta edição do jornal @Verdade), com dois civis mortos por forças de Assad em Homs e dois soldados mortos por desertores do Exército numa emboscada.

A ONU diz que mais de 3.000 pessoas já foram mortas na repressão governamental contra os protestos pró-democracia iniciados em Março, que são parte da onda de rebeliões populares que ficou conhecida como Primavera Árabe.

O Governo diz que os distúrbios são causados por militantes armados e financiados por governos estrangeiros, e que 1.100 soldados e polícias já foram mortos.

Ministros da Liga Árabe reuniram-se no domingo passado com autoridades sírias no Qatar para procurarem uma forma de acabar com o derramamento de sangue.

Segundo diplomatas árabes, os ministros propuseram que a Síria liberte imediatamente activistas presos desde Fevereiro, retire as forças de segurança das ruas, permita a entrada de monitores da Liga Árabe e inicie um diálogo com a oposição.

O Primeiro-Ministro do Qatar, xeique Hamad bin Jassim al Thani, cujo país chefia o comité ministerial, disse também que Assad deve empreender reformas sérias para que a Síria evite mais violência. Uma autoridade libanesa ligada ao Governo sírio disse que Damasco também apresentou propostas próprias à Liga Árabe.

“As autoridades sírias querem que a oposição deponha as armas, que os Estados árabes parem de financiar as armas e a oposição, e que tenha fim a campanha midiática contra a Síria”, disse o funcionário à Reuters.

Não ficou claro até que ponto essas exigências constaram no acordo final. Muitos membros da oposição manifestaram desconfiança relativamente às promessas de diálogo.

“O nosso temor é de que esse acordo seja mais uma tentativa de dar ao regime uma nova oportunidade de esmagar essa revolução e matar mais sírios”, disse o activista Omar Idlibi, acrescentando que a oposição ainda aguarda detalhes sobre o acordo.

“Ele ajuda o regime sírio a permanecer no poder, ao passo que as exigências do povo são claras em termos de derrubar o regime e da sua inadequação até mesmo para comandar um período transitório”, acrescentou.

Assad disse no último domingo a uma TV russa que aceita cooperar com a oposição, mas noutra entrevista alertou as potências ocidentais para o facto de que elas causarão um “terramoto” no Médio Oriente caso intervenham na Síria, como querem muitos manifestantes.

A Síria, disse Assad falando metaforicamente, “está numa falha geológica, e se vocês mexerem com o chão, vão causar um terramoto. Vocês querem ver outro Afeganistão, ou dezenas de Afeganistões?”

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