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Síria ameaça usar armas químicas contra intervenção estrangeira

A Síria admitiu pela primeira vez, esta Segunda-feira (23), que tem armas químicas e biológicas e afirmou que poderá usá-las em caso de intervenção estrangeira na violenta crise que arrasta-se há 16 meses.

A pressão internacional sobre o presidente sírio, Bashar al-Assad, aumentou drasticamente, última semana, paralelamente a uma ofensiva rebelde nas duas maiores cidades do país e ao ataque a bomba que matou quatro integrantes do círculo íntimo do presidente em Damasco.

Desafiando os ministros árabes estrangeiros que, Domingo (22), ofereceram a Assad uma “saída segura” se ele renunciasse, o líder sírio lançou contra-ofensivas ferozes, reflectindo a sua determinação de manter o poder, num momento em que a insurreição entra na sua fase mais violenta.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores sírio, Jihad Makdissi, afirmou que o Exército não usará armas químicas para reprimir os rebeldes, mas poderá usá-las contra forças de fora do país.

“Quaisquer armas químicas ou bacterianas nunca serão usadas…durante a crise na Síria independentemente dos acontecimentos”, afirmou Makdissi.

“Essas armas são guardadas e mantidas em segurança pelas forças militares sírias e estão sob sua supervisão directa e nunca serão usadas, a não ser que a Síria enfrente agressão externa.”

O governo sírio não assinou uma convenção internacional em 1992 que bane o uso, a produção e o armazenamento de armas químicas. As autoridades, no entanto, negavam até agora possuir quantidades dessas armas.

Os países do Ocidente expressaram imediatamente a sua preocupação. “Dada a escalada da violência na Síria, e os ataques crescentes do regime contra o seu povo, permanecemos muito preocupados com essas armas”, disse o porta-voz da Casa Branca, Tommy Vietor.

O chanceler britânico, William Hague, disse que é uma “completa ilusão” dizer que a Síria enfrenta qualquer ameaça externa e que é inaceitável dizer que pode usar armas químicas em quaisquer circunstâncias.

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, afirmou que é “ultrajante ameaçar usar armas químicas” e o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, disse estar muito preocupado de que a Síria possa ser tentada a usar armas não convencionais.

Os países do Ocidente e Israel também expressaram temor de que as armas químicas caiam em mãos de grupos militantes, enquanto a autoridade de Assad é minada.

Israel tem debatido publicamente a possibilidade de acção militar para evitar que as armas químicas ou os mísseis da Síria cheguem às mãos do Hezbollah, os aliados xiitas libaneses de Assad.

O site Global Security, que colecta relatórios de inteligência publicados e outros dados, afirma que há quatro supostos locais de armas químicas na Síria: ao norte de Damasco, perto de Homs, em Hama e perto do porto mediterrâneo de Latakia.

Entre as armas que o país produz, estão os agentes neurotóxicos VX, sarin e tabun, disse o site, sem citar as fontes. O chefe do grupo de oposição Conselho Nacional Sírio, Abdelbasset Seida, afirmou: “Um regime que massacra crianças e estupra mulheres poderia usar esse tipo de armas.”

“A infraestrutura técnica pode não ser apropriada, mas, como disse, tal passo pode ser esperado desse regime assassino. A comunidade internacional precisa evitar isso”, disse ele aos jornalistas depois de se reunir com o ministro das Relações Exteriores turco em Ancara.

Os ministros da Liga Árabe reunidos em Doha pediram que a oposição e o Exército Sírio Livre formem um governo de transição, disse o primeiro-ministro do Catar, o xeique Hamad bin Jassim al-Thani, em entrevista colectiva.

Makdissi rejeitou o pedido de renúncia de Assad, afirmando que isso é uma “intervenção flagrante” nos assuntos internos da Síria. “Lamentamos que a Liga Árabe tenha se humilhado a esse nível imoral”, disse ele.

Esta Segunda-feira (23), o Exército bombardeou forças rebeldes na cidade de Aleppo, no norte do país, e invadiu o bairro de Nahr Aisha, no sul de Damasco, invadindo lojas e residências e queimando algumas delas, afirmaram os activistas.

Um vídeo mostrou dezenas de homens com uniformes militares verdes a andarem pelo bairro, que parecia completamente abandonado. Homens portando metralhadoras e lançadores de granadas chutavam portas e subiam pelas janelas.

As forças de Assad retomaram o controle de diversas áreas de Damasco depois de teremvoltado a tomar o controle do distrito de Midan, Sexta-feira (20), 48 horas depois de um ataque a bomba matar quatro autoridades de segurança próximos a Assad.

“A estratégia do regime é continuar a confrontar a oposição, desta vez com uma resposta militar bem mais ampla”, disse Ayham Kamel, analista da consultoria Eurasia Group para o Oriente Médio.

“A expectativa de que o regime esteja sem poder de fogo ou a entrar em colapso no momento é errada.” As forças de Assad, entretanto, perderam terreno fora das cidades, perdendo o controle de quatro postos de fronteira nas fronteiras com a Turquia e o Iraque.

Os rebeldes também capturaram uma escola de infantaria do Exército na cidade de Musalmiyeh, 16 quilómetros ao norte de Aleppo, e detiveram vários oficiais, enquanto outros desertaram, informaram um desertor militar na Turquia e fontes rebeldes dentro da Síria.

Imagens da Sky Television da cidade de Azaz, perto da fronteira com a Turquia, mostraram combatentes rebeldes a desfilarem pelas ruas a disparar para o alto em triunfo depois duma longa batalha com as forças do governo.

Elas também mostraram um tanque incendiado e restos do que disse ser uma base da inteligência do governo.

Em Aleppo, os activistas afirmaram que milhares de moradores fugiram dos distritos mantidos pelos rebeldes (Al-Haideriya, Hanano e Sakhour) depois de um bombardeio do Exército e dos confrontos entre rebeldes e forças do governo, nos quais três tanques do governo foram destruídos, segundo os rebeldes.

“O Exército do regime ameaçou os distritos e afirmou que, se o Exército Sírio Livre não sair, eles bombardearão a área”, disse um activista baseado em Aleppo que disse chamar-se Tamam.

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