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Separatistas ocupam segunda capital regional na Ucrânia

Centenas de separatistas pró-Moscovo invadiram prédios do governo numa das capitais regionais da Ucrânia, esta terça-feira (29), e abriram fogo contra a polícia numa grande escalada da sua revolta contra o governo central, apesar das novas sanções ocidentais sobre Rússia.

Os preços das acções da Rússia subiram em decorrência da brandura das sanções anunciadas recentemente pelos Estados Unidos e a União Europeia que implicaram, sobretudo, a inclusão de um pequeno número de nomes às listas negras existentes e, ao mesmo tempo, e novas ameaças de tomar medidas mais sérias.

No entanto, o presidente russo, Vladimir Putin, respondeu a eaçar reconsiderar a participação ocidental em acordos energéticos na Rússia, o maior produtor de petróleo do mundo, onde a maioria das grandes companhias de petróleo dos EUA e da Europa têm projectos extensos.

Os manifestantes abriram à força o caminho para a sede do governo regional em Luhansk, uma província no leste da Ucrânia que faz fronteira com a Rússia, e içaram bandeiras separatistas no topo do prédio, enquanto a polícia nada fazia para interferir.

Ao cair da noite, cerca de 20 homens armados abriram fogo com armas automáticas e lançaram granadas de efeito moral na sede da polícia da região, tentando forçar os agentes que estavam dentro a entregarem as suas armas, disse um fotógrafo da Reuters que estava no local.

“A liderança regional não controla a sua força policial”, disse Stanislav Rechynsky, um assessor do ministro do Interior, Arsen Avakov, referindo-se aos eventos em Luhansk. “A polícia local nada fez.” Os rebeldes também apossaram-se do gabinete do promotor e das instalações da televisão local.

A operação separatista em Luhansk parece dar aos rebeldes pró-Moscovo o controle de uma segunda capital provincial. Eles já dominam grande parte da província vizinha de Donetsk, onde proclamaram a independente “República Popular de Donetsk” e anunciaram um referendo sobre a sucessão para 11 de Maio.

Os rebeldes incluem jovens locais armados com bastões e correntes, bem como os chamados “homens verdes” – mascarados armados que usam uniformes militares sem insígnia. Adicionar o controle de Luhansk daria a eles o domínio sobre toda a região carbonífera do Donets – uma faixa contínua de território adjacente à Rússia -, onde as fundições gigantes de aço e as usinas pesadas respondem por cerca de um terço da produção industrial da Ucrânia.

É o coração de uma área que Putin descreveu no início deste mês como a “Nova Rússia”, revivendo um termo da época em que a região foi conquistada pelos czares nos séculos 18 e 19.

A maioria das pessoas que vivem na área agora identifica-se como ucranianos, mas têm o russo como primeira língua. A Ucrânia, um país de 45 milhões de pessoas e com território do tamanho da França, tem uma história de mil anos como Estado, mas passou grande parte dos últimos séculos sob a sombra do seu vizinho maior, a Rússia.

O país emergiu como uma nação moderna independente depois que a União Soviética se desfez em 1991, com fronteiras definidas por comissários bolcheviques do território anteriormente governado pela Rússia, Polônia e Áustria.

A crise actual começou depois de um presidente pró-Rússia ter sido deposto em Fevereiro num levante popular. Poucos dias depois, Putin declarou o direito de usar a força militar para defender a população de etnia russa e despachou as suas tropas à paisana para apossar-se da região ucraniana da Crimeia. Os EUA e a UE acusam Moscovo de comandar a revolta no leste do país com a intenção de desmembrar a Ucrânia.

“Hoje, a Rússia procura mudar a área de segurança da Europa Central e Oriental”, disse o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, em um discurso em Washington, referindo-se à ocupação da Crimeia pelos russos.

“Qualquer caminho que a Rússia escolher, os Estados Unidos e os nossos aliados vão estar juntos em nossa defesa da Ucrânia”, disse Kerry. No entanto, as autoridades norte-americanas e europeias deixaram claro repetidamente que não vão levar em consideração a possibilidade de uma acção militar.

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