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SELO: Zygmunt Bauman e Barack Obama: O adeus de duas grandes inspirações da nossa era – Por Raúl Barata

O autor da famosa obra Liquid Modernity, ou simplesmente Modernidade Líquida ou Modernidade Leve, perdeu a vida aos 91 anos de idade, no passado dia 9 de Janeiro, deixando um vazio não só na sociedade académica, mas também nos interessados em perceber mais sobre o mundo social e político em que vivemos. Por outro lado, no cenário político e também social, Barack Obama, para mim o maior orador do século XXI até ao momento, despediu-se do mundo e do povo americano em particular, naquele que foi o seu último discurso como Presidente dos EUA, após dois mandatos de quatro anos a frente dos destinos daquele país.

O sociólogo Zygmunt Bauman e o político Barack Obama foram duas figuras que influenciaram grandemente o cenário social e político contemporâneo.

Bauman foi um visionário, um profeta da sociedade global, que previu e alertou ao mundo sobre os grandes problemas do século XXI e do anterior, desde o sufoco do capitalismo sobre as classes sociais consideradas a escória do mundo, à ascensão da web ou internet e das redes sociais que passaram a ocupar a vida dos indivíduos, sobretudo dos jovens, e criaram em alguns de nós vícios como se de drogas se tratasse.

Bauman iluminou-nos e esclareceu-nos sobre um mundo onde se pauta pelo imediato e onde tudo é comercializado e tem o seu valor de compra. Bauman ensinou aos jovens a ir a luta e buscar pelo seu espaço num mundo cada vez mais pequeno e sem lugar para os albergar, alertando-os sobre a sua exclusão e marginalização de toda a agenda política, social ou cultural por serem considerados mais um problema para os governos.

Com a sua linguagem complexa e de difícil percepção a primeira vista, no entanto esclarecedora e rica em ensinamentos, Bauman abriu-nos a mente sobre a deterioração, decadência e rápida ascensão ao abismo do mundo moderno, caracterizado pelo consumo exagerado produto do capitalismo selvagem que transformou os indivíduos em meros fantoches consumidores, vivendo uma vida falsa e de aparências. Um mundo onde vale mais comprar ou adquirir bens e produtos de que não necessitamos, com o dinheiro que não possuímos, para exibi-los a pessoas que não conhecemos.

Zygmunt deu-nos esperança e influenciou-nos a ver o mundo moderno de outra forma, ensinando a fugir da hipocrisia e falsidade e pautar pela autenticidade e veracidade que faltam a este mundo e aos tempos em que vivemos.

Por outro lado, para além do facto histórico e do impacto que exerceu ao se tornar no primeiro afro-americano presidente dos EUA, Barack Obama, foi um espectacular orador e transmitiu a sua visão única sobre o alcance da paz individual e colectiva no mundo. Os seus discursos sempre foram inspiradores. A sua capacidade notável de abordar os diversos assuntos e de tocar os corações de diferentes grupos e estratos sociais fizeram dele um exemplo a seguir.

Mais do que um político, Obama foi um sonhador. Um homem que desafiou tudo e todos quebrando barreiras e ultrapassando obstáculos para se tornar no homem que hoje conhecemos, num país onde o preconceito é notável, sobretudo quando se trata de um negro. Foi com Obama que acreditamos que é possível sonhar e tornar os nossos sonhos em realidade.

Barack transmitiu-nos a ideia de que era importante o amor pelo próximo, ensinou-nos a importarmo-nos com os outros, a desafiar a desigualdade, e sobretudo que sejamos os melhores naquilo que fazemos inspirando e transmitindo constantemente energias positivas.

Obama é um optimista por excelência. Sempre transformou os problemas em desafios e procurou vencê-los a todo o custo. Para ele, a esperança nunca pode ser vã e o optimismo não deve ser cego. Para Obama, se acreditamos e temos esperança nos nossos sonhos, que a crença e a fé nunca se abalem mesmo que pela frente haja obstáculos que nos atentem a acreditar no contrário.

Nas suas belas palavras Obama uma vez disse: “Esperança não é optimismo cego. Não é ignorar a imensidão do trabalho à nossa frente ou os obstáculos no nosso caminho. Não é sentar de lado ou fugir de uma luta. Esperança é aquela coisa dentro de nós que insiste, apesar de todas as evidências que mostram o contrário, que alguma coisa melhor espera por nós, se tivermos a coragem de alcançá-la, de trabalhar e lutar por ela. Esperança é a crença de que o destino não será escrito para nós, mas por nós, pelos homens e mulheres que não se conformam com o mundo como ele é, que tem a coragem de refazer o mundo como devia ser”.

Obama ensinou-nos a lutar constantemente pela felicidade e pela paz. Mostrou-nos o caminho da honestidade, do respeito e da generosidade. Ensinou-nos a não pautar pelo sucesso imediato e não dar os nossos desafios e sonhos como certos. Barack Obama ensinou-nos que o sacrifício e o trabalho árduo valem a pena. Como inspiração de uma geração, Obama equipara-se à notáveis como Thomas Jefferson ou ainda Abraham Lincoln, figuras incontornáveis da história americana e que ensinaram a busca pela liberdade e pela felicidade. No seu último discurso Obama expressou-se da seguinte maneira: “Meu último pedido é o mesmo que o primeiro. Peço-vos para acreditar. Acreditar não na minha habilidade de fazer mudanças, mas na vossa”.

Barack Obama e Zygmunt Bauman deram-nos esperança e fizeram-nos sonhar. Que honremos, então, o legado destas ilustres figuras.

Por Raúl Barata

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