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SELO: O município de Monapo: uma vila em progresso – Por Wilson Nicaquela

Um texto para os bons leitores, excepto os preguiçosos. Leia e leia mais… senão tudo fica como antes!

O título do meu texto emerge em torno do Slogan “florescente” estampado no muro da “BOA VIAGEM” naquela curva e entroncamento mais mortífero da vila sede, desde meados de Junho de 1998, aquando da instituição das primeiras autarquias, em que Monapo, foi a única Vila dos 5 Municípios implantados na província de Nampula. Um slogan espectacular e aliciante… O lema do meu município, não foi pensado numa mera coincidência, tal como a sua escolha para a municipalização, não foi obra do acaso…

Para os menos atentos, os que de história sobre Monapo menos conhecem, ou aqueles que conhecem o meu distrito através do Google, como dissera em 2012 o então edil de Nampula, podem ficar perplexos com o estágio actual.

A história do distrito de Monapo, se confunde com a da Província de Nampula, naquele distrito meridional, localizava-se o maior complexo da Industria transformadora de matéria-prima produzida localmente, o óleo alimentar produzido pela Companhia Industrial de Monapo (CIM), embalado em vasilhames de 5-200 litros e o Sabão Monapo eram uma referência nacional; a Castanha de Caju processada na Companhia do Caju de Monapo (CCM), as fibras de algodão e sisal da SAMO E CCA (Ramiane, Mecuco, Jagaia e Miserepane), respectivamente, faziam de Monapo não uma vila, e sim UM DITRITO EM PROGRESSO.

No parágrafo acima focalizo aos mais novos (como se eu fosse mais velho?), que olhando pela presença das duas Multinacionais vocacionadas na produção de banana e processamento da amêndoa de castanha de caju, iludem-se acham-se, estando num progresso equivalente ao do século XXI, mentira. Monapo, já teve firmas atractivas, até, em tempo de guerra dos 16 anos, serviu de um dos principais centros de refúgio e emprego para a população de quase todos distritos da Província.

Aliás, numa conversa com um natural letrado, que naqueles tempos trabalhou para a CIM/CCM, acusa a existência de várias firmas, como estando na origem da fraca ou inexistência de pessoas (naturais) alto grau académico, sublinha-se, até ano 2000, pois, os que conseguissem concluir a 6a/7a classes, eram aliciados com altos cargos nas diversas empresas existentes no distrito, sobretudo em tempos de ferias.

As poucas ruas asfaltadas, que a vila-sede do meu distrito dispõe, foram ou são aquelas que o MARCELO CAETNO, aquele colonizador-mor, deixou na sua viagem irreversível a Lisboa.

Há quem pensa que Monapo está num ritmo extraordinário, por ser um dos poucos distritos com 2 agências bancárias. Mentira. Até no ano de 1997, quando apenas as cidades possuíam agências, no Monapo, já tinha implantado, igualmente 2 agências, Banco Comercial de Moçambique (BCM) e Banco Popular de Desenvolvimento (BPD). Então, onde esta a novidade?

Neste ano de 2016, assinala-se mais um 22 de Setembro, 49o aniversario só da vila-sede (!?), uma data arquitectada para acomodar os interesses Político-administrativos dos colonizadores, pois, instituía alegria para os moradores das urbes, num ambiente de festa e subjugação  dos achados “selvagens” aqueles autóctones dos meios rurais, eles não tinham o direito de festejar. Nós herdemos e nós executamos no mesmo diapasão dos nossos inimigos coloniais.

O Monapo Distrito, já teve glórias como tem (?!), existiu uma grande equipa de futebol 11 que dava “dores de cabeça” aos gigantes do Nampulense da época. Nesse tempo, receber e vencer a CIM/CCM, era TPC insolúvel para os Namutecos e Muahivire.

Ainda na senda da responsabilidade social da CIM/CCM, num momento em que a conjuntura sócio-económica política e administrativa do país não era propensa a expansão da rede de Ensino Secundário, havia sido instituída uma escola Secundária do 1o ciclo que em parceria com extinto Ministério de Educação e Cultura, os alunos da 10a classe  eram examinados pela Escola Secundária da Ilha de Moçambique.

Era pouco isso? Se afirmativo, concordas com aquele que subjuga o inventor da máquina a vapor, pois era tão rudimentar que os carros de alta cilindrada, hoje…

Na zona baixa da vila, nos bairros do Monapo – Rio (Nova-Cuamba, Muacuvelane, Nachicuva, Ponte Tia, Bairro 2, Naherenque) só para servir de ICEBERG, a vida era mais modesta do que o que ela foi e é hoje na zona alta da vila, nos bairros de: Mecutane, Boa-viagem, Antoprine, Moagem, Mucaca, 28 de Setembro Anwaria e outros, que fazem parte de Monapo vila.

Os que não conhecem essa história, ou os ignorantes, sempre, se questionam porque que os resultados eleitorais sempre são menos cómodos ao meu GLORIOSO, em todo Monapo-RIO, em comparação com outras áreas do Município.

No Monapo – Rio, jorrava água nas torneiras caseiras ou fontenários públicos, em quase todos os bairros, hoje as pessoas lutam com os famosos crocodilos do maior rio genuinamente da Província de Nampula, pois, tem sua nascente na cordilheira dos Montes IAPALA, até agora Distrito de Ribáuè, e pelo imponente complexo Industrial construído nas suas margens, sob anuência da administração colonial, acabou, dando nome àquela então circunscrição de Mossuril, hoje, Distrito de Monapo.

Ainda, devo afiançar, sobretudo, aos mais novos, aqueles que não tiveram a mesma sorte que a minha, a de viver os resquícios ou “beber” da fonte oral, principal meio de transmissão da nossa história, que Monapo-Rio, representava a Capital económica do distrito. Um imponente campo de futebol salão, hoje abandonado, pertencente a CIM/CCM, nas redondezas do único prédio mais alto do distrito, ocupava os jovens e adultos nas noites do inverno e do verão.

O então hospital Rural de Monapo, era unidade sanitária de referência, não foi por mero acaso ao ponto de ser um dos poucos distritos a receber médicos como seus funcionários efectivos. ALBERTO VAQUINA (então 1o ministro) é um dos médicos de que Monapo se orgulha.

É lastimável chegar hoje e visitar a zona de Monapo-Rio, aquela, que em minha opinião, acredito, tenha sido a génese do sedutor slogan “POR UMA VILA EM PROGRESSO”.

Esta realidade, que Monapo está vivendo, aquele distrito que outrora não teve fronteiras e hoje  resume-se na área municipal, contrapõe o que deverias estar a acontecer. Entretanto, fica uma culpa órfã, pois, ninguém pode ser responsabilizado. Tudo imiscui-se na política e na senda da cultura estranha que caracteriza aquela zona que nem litoral é, nem interior da Província faz parte.

A única vítima dos efeitos da culpa têm sido os representantes do governo, tanto Municipal, assim como central representado pela Administração do Distrito. A população prefere insurgir-se contra eles… Estariam errados os populares? Não sei… você pode me ajudar a pensar…

PS: Posto isso, a pergunta de reflexão é: Você, como natural ou amigo que conheceu ou conhece fisicamente o distrito de Monapo, acha que está em progresso? Porquê?

REFLETINDO SOBRE A NOSSA TERRA.

Por Wilson Nicaquela

Psicólogo escolar, mestrando em Educação em Ciências de Saúde pela Universidade Lúrio (UniLúrio)/Campus de Marrere, Nampula-Moçambique.

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