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SELO: Do equívoco para afirmação da vitória do oponente: uma análise ao discurso do Presidente Filipe Nyusi – Por Rabim Chiria

Por amor do povo, não me calarei, e, por amor de Moçambique, não me aquietarei; até que saia a sua justiça como um resplandecer, e a sua melhoria, como uma tocha acesa. Todas noções vizinhas verão a sua justiça, e todos os líderes verão a sua glória; e chamar-te-ão por um nome novo. Será uma coroa de glória na mão do seu povo, e um diadema real na mão dos menos favorecidos. E o seu país que comanda será chamado, um Moçambique livre de conflitos e fome.

Caro leitor venha comigo! O que pode-se dizer acerca dos pronunciamentos do nosso Camarada presidente Nyusi, quando ele afirma que a Renamo nas seis províncias não ganhou as eleições, mas sim teve maior número de votos? Qual é o critério usado para apurar a vitória de um candidato nas eleições gerais, sobretudo num pais democrático?

Eu não tenho capacidades de governar um país, mas duvido que iria proferir um discurso como esse, ao público. Pelo que eu sei até agora, o nosso país é democrático, embora seja uma democracia apequenada. Num país democrático sempre é observada a regra “um eleitor um voto”. A regra um eleitor um voto implica que cada voto tem aproximadamente o mesmo peso quanto a determinação dos resultados das eleições.

Não só, a regra “um eleitor um voto” garante o princípio de igual participação nas actividades políticas. Os pronunciamentos do camarada Nyusi simbolizam o rompimento da regra um eleitor um voto e, rompendo esta regra, limita se também o princípio da igual participação. E quando se limita o princípio da igual participação, a democracia fica contaminada.

Quando se diz que a Renamo apenas teve um maior número de votos e, não ganhou as eleições, isto quer dizer que, as pessoas que votaram na Renamo e no seu Líder, não revelam uma maior capacidade intelectual para opinarem sobre questões políticas, e por esta razão, os seus votos tem um valor inferior, independentemente da quantidade. E as pessoas que votaram no camarada Nyusi e, no seu partido, os seus votos têm um valor superior, independentemente da quantidade. Não só, as pessoas que votaram no Camarada Nyusi e, no seu partido possuem maior capacidade intelectual de decidirem sobre questões políticas. O que não corresponde a verdade!

Se numa sociedade democrática, a vitória de um candidato é conferida pelo maior número de votos, o meu Camarada presidente equivocou-se nos seus argumentos e, ao dizer que a Renamo apenas teve maior número de voto, logo afirmou inconscientemente a vitória do oponente. Se o camarada presidente esteve consciente nos seus pronunciamentos de que, a Renamo não ganhou nas seis províncias, mas sim teve maior número de votos, então, houve um rompimento da regra e do princípio básico que confere a democracia. A regra “um eleitor um voto” foi rompida e, o princípio de igual participação na vida política foi estrangulado. Havendo o rompimento da regra e do princípio básico que conferem a democracia, há uma necessidade de reconhecer e aceitar a derrota, ou repetir as eleições.

No meu ponto de vista, esta poderia ser a única alternativa para nos livrar deste inferno político e económico que vivemos. Não resta dúvidas que, o uso da força para obrigar aceitar, só compromete os planos e vida dos cidadãos. Alias, se este for o acaso, a sociedade civil terá uma obrigada de intervir, mas desta vez com vigor e potencialidades, não com desfiles nas avenidas, só para correr o risco de sermos atropelados. Desta vez será na ponta vermelha. No meu entender, cidadãos que tem capacidade de conceber o justo, não admitem que as forças antagónicas destruam a base da sua convivência, enquanto eles assistem passivamente. A não ser que os moçambicanos sejam desprovidos desta capacidade! Neste contexto, a sociedade civil está obrigada a impor limites ao intolerante, isto é urgente porque este representa um perigo imediato para a sociedade Moçambicana.

Por Rabim Chiria

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