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SELO: Cidadão sul-africano pilha recursos minerais moçambicanos com ajuda dos “camaradas”

Shamin “Chippy” Shaik, presentemente a residir em Perth, na Austrália, é irmão de Shabir Shaik, o principal implicado no escândalo da aquisição de armamento sul-africano.

Shabir Shaik foi acusado e chegou a ser condenado a 15 anos de prisão por corrupção no processo de aquisição de armamento e cumpriu pena por pouco mais de dois anos, tendo sido libertado por razões de saúde. Considerado muito próximo do Presidente Jacob Zuma, a quem ajudou bastante financeiramente após o regresso deste do exílio em Moçambique, Shaik viu o seu caminho para a corrupção aberto após o seu irmão (Shamin “Chippy” Shaik) ter sido nomeado chefe para as aquisições de armamento no Ministério da Defesa da África de Sul.

Chippy Shaik, proprietário da TAN MINING AND EXPLORATION (PTY) LTD, empresa de direito sul-africano, registou uma semelhante em Moçambique de nome TANTALUM MINERAÇÃO E PROSPECÇÃO, LIMITADA, que detém os direitos de exploração e prospecção das licenças 178C, 1004L, 1005L, 1006L, 1007L, 1008L, 1009L, 2500L, 2504L e 2636L, algumas destas há bastante tempo canceladas.

Note-se que Chippy Shaik, implicado no negócio de armamento sul-africano já foi considerado foragido da justiça na terra do Rand em 2007. Curiosamente nesta época, a desculpa dada às autoridades policiais sul-africanas foi de que Chippy Shaik se encontrava em Moçambique a cuidar dos seus negócios.

A concessão mineira que está no centro das tensões com a população local é a 178C que cobre uma área de 1.660 hectares, em vigor desde 2001 emitida para a produção de Tantalite, mas nunca se chegou a explorar tal minério. O que o senhor Chippy Shaik sempre fez foi explorar as pedras preciosas e vendê-las ilegalmente no portão da sua mina. Os principais compradores sempre foram os estrangeiros (oriundos da África Ocidental e um cidadão libanês de nome Hassan, que acabou por se estabelecer em Muiane, disfarçado de comerciante).

Chippy Shaik, que em 2014 teve diamantes e outras pedras preciosas (provavelmente nossa riqueza tirada do país de forma ilegal) roubadas da sua casa em Durban, conta com forte apoio de Benjamin Uachave, um antigo funcionário do Ministério dos Recursos Minerais e geólogo formado na Rússia (onde se casou e teve dois filhos).

Uachave é bastante conhecido pela sua forma sorrateira de operar sem respeitar os mais elementares princípios de exploração sustentável de recursos minerais, chegando, vezes sem conta, a cometer crimes ambientais, à semelhança do que foi fazendo nas montanhas de Muiane em benefício do seu patrão e amigo Chippy Shaik.

Sabe-se que na terça-feira da semana passada, dia 10 de Novembro, a população de Muiane revoltou-se contra a empresa depois de esta ter morto um cidadão moçambicano alegadamente por tentativa de garimpar nas suas áreas. Essa informação foi avançada por algumas testemunhas que não querem ser identificadas por temerem represálias por parte do comandante da Polícia e outros quadros que recebem suborno da empresa para se manterem calados e protegerem a mina. Os populares destruíram toda a infra-estrutura e alguma maquinaria que lá existia e, de seguida, ocuparam a montanha e puseram-se a garimpar.

Como era de se esperar, a Polícia tentou expulsar a população do local, mas esta ripostou tendo-se apoderando de quatro armas dos agentes da Polícia que tiveram de pedir reforço de Quelimane, tendo este chegado na quinta-feira.

Infelizmente, nesta sexta-feira houve um desabamento de terras onde se encontravam mais de 100 garimpeiros, tendo perdido a vida várias pessoas, mas somente quatro corpos foram encontrados até ao momento.

Chippy Shaik teve uma audiência na Presidência da República na quinta-feira (19 de Novembro) e ordens foram dadas ao Ministério de Recursos Minerais, na pessoa do ministro, para receber o empresário sul-africano e resolver o assunto, facto que aconteceu na manhã de sexta-feira, 20 de Novembro.

Sabe-se que Chippy Shaik usa a influência do ANC para lograr os seus intentos em Moçambique, o que tem conseguido com muita facilidade dado o compadrio que tem reinado entre os dirigentes daquele partido no poder na África do Sul e os dirigentes da Frelimo.

O que esperamos e vamos acompanhar de perto é ver se o Presidente Nyusi se vai esquecer das suas promessas aquando da tomada de posse. Se se vai esquecer da pobre população local que clama por míseros centavos ou vai devolver a área a este empresário que pilha os recursos do nosso país.

O que sabemos é que morreram pessoas, uma assassinada pela guarda da empresa do Chippy Shaik. A pergunta é: O que foi feito para apurar a morte do pobre e pacato cidadão?

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