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SELO: A paz do cabaz? – Por Dércio Tsandzana

Este texto faz parte de uma série de artigos que tenho vindo a publicar neste espaço com vista a contribuir para a paz em Moçambique. O título acima sugerido foi pensado com o propósito de caracterizar o tipo de paz que se está a construir em Moçambique, com base no actual modelo de diálogo político, que é caracterizado pelo secretismo entre os dois actores, o Governo e a Renamo, que se julgam donos supremos da paz.

A analogia com o cabaz é sugerido pelo facto deste ser caracterizado por conter diversos produtos, regra geral, alimentícios, e que só ficamos a saber todo o seu conteúdo após abri-lo para conferir, ou seja, um autêntico segredo que é da pertença de quem compôs tal oferenda.

Ao insistir no actual modelo de diálogo político, estamos a mostrar que como nação não conseguimos aprender com os erros do passado, desde o Acordo Geral da Paz, de 04 de Outubro de 1992, e o Acordo de Cessação das Hostilidades, de 05 de Setembro de 2015.

A paz em Moçambique não pode continuar a ser condicionada a apenas dois actores, sem que os moçambicanos conheçam o conteúdo que está a ser abordado no decorrer de cada sessão, muito menos os propósitos que cada um dos actores persegue.

O Governo e a Renamo precisam de apoio de todas as forças vivas da sociedade, visto que o problema da paz não é um assunto que diz respeito a apenas dois actores, pois, as decisões que sairão deste diálogo vão ter um impacto directo em todos os moçambicanos, sem excepção.

Ao incluir outras sensibilidades no actual diálogo, é um ganho para os dois actores, na medida em que vão mostrar o seu comprometimento público com a questão da paz, bem como estarão a mostrar que não escondem nada e o seu real interesse é com o povo que referem ser a sua maior razão de luta.

Ademais, a abertura ao diálogo vai permitir que os cidadãos possam monitorar de forma permanente o cumprimento de um eventual acordo que vai resultar do diálogo, pois, só com a informação é que pode-se evitar interpretações dúbias à semelhança do Acordo Geral de Paz (1992). Os cidadãos precisam saber, temos esse direito.

Por Dércio Tsandzana

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