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Selecção nacional de karate não vai ao Mundial por falta de 400 mil meticais

A selecção nacional de karate, na especialidade de Karate Do, não vai participar no Campeonato Mundial, que se disputa em Novembro na Alemanha, porque o Governo não disponibiliza 400 mil meticais. Em Julho, os karatecas moçambicanos conquistaram sete medalhas no Campeonato Mundial que se realizou na África do Sul, para onde se deslocaram pagando eles próprios as suas despesas!

No início do ano o Governo, através do Fundo de Promoção Desportivo (FPD), comprometeu-se a custear as despesas de transporte, alojamento e alimentação da selecção que iria representar Moçambique no “Mundial”; contudo, faltando vinte dias para o arranque da competição “recebemos uma carta do Fundo de Promoção Desportiva a comunicar que não tinha fundos para custear a nossa ida a Alemanha” lamentou o presidente da Federação Moçambicana de Karate, Carlos Dias.

“Fomos colhidos de surpresa e tristeza acima de tudo, porque a mesma instituição no início do ano comprometeu-se a alocar fundos para esta competição. É lamentável o que está a acontecer no nosso país, um Governo não ter quatrocentos mil meticais para apoiar uma selecção que sempre que vai para uma competição internacional traz medalhas” acrescentou Dias.

Nem mesmo a medalha de ouro, mais outras quatro de prata e três de bronze, conquistadas este ano no “Mundial” da África do Sul chegaram para convencer o Governo moçambicano a dar primazia ao karate em detrimento de modalidades que nunca conquistaram nenhuma medalha internacional como é o caso do futebol, que está a gastar 15 milhões de meticais só para a fase de apuramento para uma prova continental.

“Em Moçambique existem modalidades que são tratadas como filhos e outras como enteadas. Se fosse o futebol ou basquetebol já teriam aberto os cordões à bolsa para irem ao “Mundial”, mas o karate continua discriminada no país e isso reflecte-se no valor que o Governo aloca às federações. Nós recebemos apenas um milhão e duzentos e cinquenta meticais para as actividades anuais das dez províncias que movimentam as artes marciais”, declarou o presidente da Federação Moçambicana de Karate que frisou que, pelo quarto ano consecutivo, o Fundo de Promoção Desportiva reduz o orçamento para a instituição por ele dirigida. “No passado aconteceu a mesma a coisa. Desde 2011 que aquele organismo corta o fundo que é disponibilizado pelo Estado às federações e isso é preocupante porque não há dualidade de critérios no que tange ao apoio as federações.”

Carlos Dias lamenta ainda o facto de que “os karatecas garantiram a qualificação para este Campeonato do Mundo e por falta de fundos não vão marcar presença. “É deveras lamentável informar isso a um atleta que desde o início de ano se preparava para participar neste evento. Eles estão tristes porque queriam representar de forma condigna os 22 milhões de moçambicanos”.

Dias concluiu que “Moçambique é uma das melhores escolas mundiais do karate e esta ausência no “Mundial” será prejudicial visto que no futuro ambicionávamos candidatar-nos para um cargo na Federação Internacional de Karate (FIK), mas com este cenário as nossas aspirações podem cair por terra.”

Esta triste notícia para o desporto moçambicano acontece na semana em que alguns desportistas, mais dirigentes e do que atletas, homenagearam o Presidente Armando Guebuza pelos “feitos” ao longo dos dez anos da sua governação. Ironia, pois parte do custo da homenagem, pago pelo Governo, numa unidade hoteleira de cinco estrelas na cidade de Maputo, poderia ter sido investida na participação dos karatecas moçambicanos.

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