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Secretário-geral da Renamo convalesce e Liga dos Direitos Humanos insta Filipe Nyusi a conter as FDS

A saúde do secretário-geral do partido Renamo e deputado da Assembleia da República (AR), Manuel Bissopo, baleado na quarta-feira (20), na cidade da Beira, por desconhecido, “está estável” mas ainda exige “muitos cuidados”, disse ao @Verdade António Muchanga, porta-voz deste partido. Já a Liga Moçambicana dos Direitos Humanos (LDH) suspeita que o atentado tenha “motivações políticas” resultantes da deterioração de uma série de acontecimentos políticos, que não só arratram o país para a actual tensão militar, como também colocaram o Governo e o partido Renamo cada vez mais distantes um do outro.

Questionado se o líder da “Perdiz”, Afonso Dhlakama, que insiste na ideia de instalar o seu governo, a partir de Março próximo, nas seis províncias onde reclama vitória nas ultimas eleições gerais, terá se pronunciado sobre a ocorrência, António Muchanga disse não.

Daniel Macuacua, porta-voz do Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Sofala, disse à nossa Reportagem que ainda não há nenhum dado novo com vista ao esclarecimento do que levou ao baleamento de Manuel Bissopo e morte do seu guarda-costas, e tão-pouco do paradeiro dos protagonistas do acto. “Estamos a trabalhar”.

A Polícia moçambicana, nas suas diferentes ramificações, e as demais instituições que velam pela legalidade dispõem de uma lista extensa de baleamentos e/ou assassinatos em plena via pública e têm sido infeliz no esclarecimento de casos desta natureza.

O “estamos a trabalhar” tornou-se um mero chavão que nunca se concretiza acções que consistam em elucidar ao povo o que, por exemplo, levou à morte de Gilles Cistac, Paulo Machava e Dinis Silica; quem foram os executores; quem são os mandantes, entre outras questões.

A Liga Moçambicana dos Direitos Humanos (LDH) disse, em comunicado enviado ao nosso jornal, que “é com profunda preocupação e indignação que tomou conhecimento do baleamento do secretário-geral da Renamo e da morte do seu guarda-costas”.

No seu entender, “o atentado contra Manuel Bissopo faz suspeitar” que haja “motivações políticas” resultantes de um cenário político-militar conturbado, do extremar de posições entre o Governo e a Renamo, da interrupção do diálogo político, do cerco à residência de Afonso Dhlakama, a 09 de Outubro do ano passado, na Beira, do regresso deste a Santungira, e da declaração de que o seu partido será desarmado à força.

A Liga considera ainda que pode ser que haja facções belicistas no seio das Forças de Defesa e Segurança (FDS), alérgicas à paz, mas cabe ao Presidente da República, que é o Comandante em Chefe das Forças Armadas, assumir o controlo efectivo [dos seus homens] para não dar razão à ideia segundo a qual “Filipe Nyusi não tem poder real sobre o país e o seu partido, a Frelimo”.

“Continua posta à prova a governação de Filipe Nyusi, um ano após a sua ascensão ao poder, sendo que deverá, desde já, mostrar vontade e coragem suficientes para eliminar todos os focos de perturbação aos esforços para a paz duradoura no país”, lê-se no comunicado, o qual ajunta que “a LDH apela o comprometimento do Presidente da República à causa da paz, devendo ir para além do discurso populista de basta dizer para ter feito. Não faz sentido que o Presidente multiplique os seus slogans sobre a necessidade do diálogo, quando por outro lado, aposta na manutenção do clima de força”.

Por sua vez, a Comissão Nacional do Direitos Humanos (CNDH) enviou-nos um outro comunicado, no qual diz que teme que o baleamento de Manuel Bissopo venha a distanciar ainda mais o Governo e a Renamo, “numa altura em que se buscam melhores caminhos de diálogo”, e a tensão política que se vive no país se prolongue.

As autoridades de investigação criminal devem alocar “todos os melhores e maiores recursos para a investigação do caso em apreço e que este seja imediatamente esclarecido, na medida em que, fora de todo o debate político que o caso pode levantar, a lei penal moçambicana trata com diferença o atentando contra a vida de secretário-geral de partidos com assento parlamentar”.

Ivone Soares, chefe da bancada parlamentar da Renamo, disse à Lusa o baleamento de Bissopo é o seguimento de outros atentados contra a comitiva de Dhlakama, pelo que considera este acto “terrorismo de Estado”. Aliás, acusou ainda a Frelimo de tentativas reiteradas de assassínio dos dirigentes da “Perdiz”.

No mesmo órgão, Damião José, porta-voz do partido no poder, desmentiu as alegações de Ivone Soares e classificou-as como descabidas e tentativa de justificar o fracasso da Renamo na sua acção política.

 

ESTE ARTIGO FOI ESCRITO NO ÂMBITO DO PROJECTO DE MEDIA PARA O DESENVOLVIMENTO DE ÁFRICA DA VITA/Afronline( de Itália) E O JORNAL @VERDADE.
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