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Saques a supermercados terminam com 2 mortos na Argentina

Duas pessoas morreram, Sexta-feira (21), durante saques a supermercados numa populosa cidade argentina, enquanto os agentes de segurança tentavam evitar mais ataques noutras localidades, numa onda de violência atribuída pelo governo a sindicatos da oposição.

A polícia usou gás lacrimogêneo e balas de borracha para frear dezenas de pessoas que tentavam entrar à força num hipermercado da rede francesa Carrefour na populosa periferia norte de Buenos Aires. Imagens de TV mostraram dezenas de jovens a lançarem pedras contra policiais que cercavam o supermercado localizado em San Fernando, cidade cerca de 30 quilómetros ao norte de Buenos Aires, onde há vários bairros pobres.

Os saques a supermercados começaram, Quinta-feira em Bariloche, pólo turístico no sul da Argentina, depois estenderam-se a outras localidades das províncias de Buenos Aires, Santa Fé e Chaco.

“Quando se vê que levaram (TVs de) plasma, não é fome”, disse a jornalistas o governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, garantindo que os saques não foram protagonizados por pessoas com queixas sociais.

As imagens evocam o triste Natal que os argentinos viveram em 2001, quando o então presidente Fernando de la Rúa renunciou em meio a uma onda de violência e uma grave crise económica e social, que deixou metade da população na pobreza.

A presidente Cristina Kirchner acusou em várias ocasiões a oposição, os meios de comunicação e os empresários de tentarem desestabilizar o seu governo para frear reformas económicas e sociais que os seus críticos qualificam de populistas.

Cerca de 250 pessoas foram detidas nos saques. Em Rosário, principal cidade da província de Santa Fé, duas pessoas morreram baleadas em meio à onda de ataques a supermercados. O governo mobilizou 400 policiais para reforçar a segurança em Bariloche, onde centenas de pessoas com os rostos escondidos saquearam uma loja da rede norte-americana Wal-mart.

“Há um sector na Argentina que quer levar à violência e tingir de sangue as nossas festas”, disse a uma rádio o vice-ministro da Segurança, Sergio Berni, que estava em Bariloche. “Esta não é a mesma Argentina de 2001”, acrescentou.

Mas a economia, que vinha recuperando desde 2003, estancou este ano, a situação fiscal e o ambiente para negócios deterioraram-se, e a elevada inflação golpeia os bolsos da classe média e de sectores com menores recursos.

Berni disse que a violência registada na localidade portuária de Campana, cerca de 80 quilómetros ao norte de Buenos Aires, foi orquestrada por grupos vinculados a um sindicato de camioneiros dirigido por Hugo Moyano, que também dirige a central sindical oposicionista CGT.

“Talvez isso seja fruto da necessidade que muita gente está a passar. Não posso imaginar que isso possa ser organizado por alguém”, disse Moyano a uma rádio, sem responder às acusações do governo.

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