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SADC manifesta-se “encorajada” e “preocupada” ao mesmo tempo

A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) está encorajada com os “progressos” alcançados no Zimbabué, Lesoto e na República Democrática do Congo, mas mostrase ainda “preocupada” com a situação em Madagáscar.

A posição foi quinta-feira manifestada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, Oldemiro Baloi, na sessão da abertura da reunião dos chefes da diplomacia da SADC, que decorre em Maputo. O encontro de 14 responsáveis da diplomacia da África Austral está a abordar a situação política da região e vai concertar posições que contribuam para a paz, segurança e estabilidade na região em preparação da Cimeira dos chefes de Estado e de Governo, a ter lugar em Agosto, na capital namibiana, Windhoek.

“É de realçar os avanços significativos registados em relação aos processos que constituem foco da nossa atenção, em curso nalguns Estados-membros da SADC, nomeadamente no Reino do Lesoto, em Madagáscar, na República Democrática do Congo e no Zimbabué”, disse Oldemiro Baloi. Contudo, a “situação na República de Madagáscar continua a merecer maior preocupação na região”, embora “esforços continuem a ser envidados a nível da região com vista ao retorno à ordem constitucional naquele Estado-membro” da SADC, assinalou o chefe da diplomacia moçambicana. Situações Madagáscar encontra-se mergulhado numa grave crise política provocada por um conflito aberto entre Marc Ravalomanana e Andry Rajoelina, então presidente da Câmara de Antananarivo e líder da oposição.

O braço de ferro entre os dois políticos provocou diversas manifestações e a morte de mais de uma centena de pessoas, bem como a condenação por parte da comunidade internacional, que suspendeu grande parte da ajuda financeira ao país, um dos mais pobres do mundo. Desde Fevereiro do ano passado que o Zimbabué tem um Governo de Unidade Na- cional (GUN), depois de um pacto rubricado a 15 de Setembro de 2008 para tentar ultrapassar a crise socioeconómica após as eleições gerais de Março desse ano.

O acordo foi visto como o início de uma nova era para o Zimbabué, que foi um dos países mais prósperos de África. Até agora, o GUN não levou a melhorias significativas no país e são constantes as fricções entre o MDC e o ZANU-PF, de Robert Mugabe. Morgan Tsvangirai, líder do MDC que aceitou o cargo de Primeiro-Ministro, chegou a demitir-se, mas voltou ao GUN após mediação da SADC.

Já a província de Kivu-Norte, na RD Congo, próxima do Ruanda, Burundi e Uganda, é palco de confrontos entre o exército congolês, tropas sublevadas, rebeldes hutus refugiados na região depois de cometerem o genocídio de Ruanda em 1994, e rebeldes tutsis, etnia vítima da matança e que se armou, alegando sentir-se ameaçada.

O Lesoto vive desde o ano passado num impasse resultante da discórdia dos principais actores políticos em relação à distribuição de lugares no Parlamento. Os resultados das eleições parlamentares do Lesoto de 2009 foram contestados pela oposição, que acusa o partido no poder, Congresso para a Democracia no Lesoto (LCD), de ter introduzido, fraudulentamente, um grupo de deputados para a Assembleia Nacional. Os ministros dos Negócios Estrangeiros da SADC consideram que os diálogos que decorrem nestes países têm registado avanços.

“Estes progressos encorajam- nos e dão-nos uma esperança de a possibilidade de mais um processo negocial na região ter um desfecho feliz”, disse Oldemiro Baloi.

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