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Rinocerontes transferidos da África do Sul para Botswana para evitar crime organizado a partir de Moçambique

Rinocerontes transferidos da África do Sul para Botswana para evitar crime organizado a partir de Moçambique

As autoridades conservacionistas da fauna na África do Sul, impotentes diante de uma nova escalada da caça furtiva organizada principalmente a partir de Moçambique, decidiram transferir dezenas de rinocerontes do parque Kruger para o Botswana onde ficarão à salvo dos caçadores ilegais graças a política de tolerância zero existente no País. Desde o início do ano foram assassinados cerca de quatro centenas destes animais somente para serrarem o corno que é vendido mais caro que ouro na Ásia.

A caça furtiva voltou a aumentar no lado sul-africano do Parque Transfronteiriço do Grande Limpopo – que compreende o Parque Nacional do Limpopo em Moçambique, o Parque Nacional do Kruger na África do Sul e o Parque Nacional do Gonarezhou no Zimbabwe.

No país vizinho, onde se encontram o maior número destes animais, estimam-se que desde há 9 anos 6.102 rinocerontes foram caçados apesar dos seus esforços na prevenção e combate da caça furtiva. O @Verdade apurou que só desde Janeiro à esta parte foram mortos 370 rinocerontes por caçadores que na sua maioria acedem ao Parque Nacional do Kruger através do permissivo lado moçambicano.

As autoridades do Parque Transfronteiriço do Grande Limpopo sabem há vários anos que a caça e o tráfico é iniciado e gerido a partir dos distritos de Magude e Massingir, que co-existem paredes meias com a área de conservação.

As autoridades de conservação da fauna, nesta que das maiores zonas protegidas do globo, explicaram ao @Verdade os caçadores não são amadores, além da destreza no manuseamento de armas de grande calibre são homens que caminham a pé a partir do lado moçambicano, entram nas áreas protegidas do País vizinho, matam os animais e deixam o local a uma velocidade só comparável a de soldados em marcha de combate.

Superintendente da PRM acusado de caça proibida

Alguns desses caçadores são cidadãos moçambicanos, só este ano 51 deles foram apanhados, julgados e condenados a penas que variam entre os 10 e 20 anos de prisão. Numa das mais recentes acções de prevenção foram detidos dois cidadãos moçambicanos no posto Administrativo de Panjane, no distrito Magude, conduzindo uma viatura todo o terreno onde transportavam armas de fogo ilegais, munições, machado e catana. @Verdade apurou que um dos detidos é agente da Polícia da República de Moçambique com a patente de adjunto de superintendente e responde pelo nome de Joao Fernando Zunguze.

Aproveitando-se da tolerância que a Justiça tem no nosso País ambos cidadãos embora acusados de caça proibida saíram em liberdade sob caução.

Para além da permeabilidade para a caça o nosso País é também um corredor ainda seguro para os traficantes que com maior ou menor dificuldade continuam a usar os portos e os aeroportos moçambicanos como portas de saída dos cornos até os mercados na Ásia. De com a Agência de Investigação Ambiental(acrónimo em inglês EIA) entre 2010 e 2016 foram traficados por Moçambique 797,78 quilos de cornos de rinocerontes com valor de mercado a rondar os 80 milhões de dólares norte-americanos.

Diversas fontes que trabalham na luta contra a caça furtiva tem sido unânimes em indicar ao @Verdade que os barões desse crime muito bem organizado são conhecidos da autoridades da Justiça, vários residem nos distritos limítrofes do Parque Transfronteiriço do Grande Limpopo, mas ninguém os prende porque têm ligações não só a polícia mas também com o poder político.

Rinocerontes voam para o seguro Botswana

Diante do caça ilegal que continua alta apesar do imenso trabalho de várias instituições governamentais e privadas foi criada a iniciativa Rhinos Without Borders, que resulta de uma parceria entre duas grandes empresas de conservaçãoo e turismo a andBeyond e a Great Plains Conservation.

A iniciativa propôs-se a realocar uma centena de rinocerontes das zonas de risco de caça ilegal na África do Sul para a segura região do Okavango no Botswana, onde quase não existe caça furtiva pois o País tem uma política de tolerância zero contra os furtivos.

Os animais são transportados por via aérea, por forma a tornar a viagem mais curta, contudo cada realocação custa cerca de 45 mil dólares norte-americanos.

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