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Réus de Guantánamo tiveram os seus documentos confiscados

Os guardas entraram nas celas e confiscaram documentos confidenciais de réus presos em Guantánamo no momento em que os acusados estavam no tribunal a ouvirem garantias de que ninguém lê a correspondência sigilosa entre advogados e clientes, disseram os advogados de defesa, esta Quinta-feira (14).

As audiências desta semana têm como tema as acusações de que o governo dos Estados Unidos espiona conversas confidenciais entre réus e advogados, o que os promotores negaram, Terça-feira.

A advogada Cherly Bormann disse que o seu cliente Walid bin Attash voltou à sua cela depois da audiência da Terça-feira e percebeu que as suas caixas com documentos judiciais haviam sido saqueadas e que os documentos confidenciais para a sua defesa estavam a faltar.

“Precisamos de parar com isso agora. Isso afecta a nossa capacidade de fazer nosso trabalho”, disse a advogada, acrescentando que o seu cliente está com medo de que isso ocorra sempre que for ao tribunal. Bin Attash, que só tem uma perna e usa os cabelos encaracolados até os ombros, ficou de pé e gritou para o juiz: “Em nome de Deus há uma coisa importante para o senhor”.

O juiz, coronel James Pohl, disse-lhe repetidamente para que se sentasse, e ameaçou retirá-lo da sala, mas disse que Bin Attash poderia falar mais tarde, sob juramento. Bin Attash é acusado de ter dirigido um campo da Al Qaeda no Afeganistão onde dois dos sequestradores do 11 de Setembro treinaram.

Os advogados disseram que os documentos foram retirados também das celas de Khalid Sheikh Mohammed, suposto mentor do ataque, e Ramzi Binalshibh, que admitiu só não ter participado do sequestro aéreo porque não conseguiu visto para os Estados Unidos.

Os advogados militares que trabalharam no campo carcerário disseram em depoimento, esta semana, que recebiam ordens para abrir a correspondência dos advogados para os presos, em busca de material que pudesse ser contrabandeado, como grampeadores e clipes de papel, e carimbá-la como material judicial após um exame superficial.

Um advogado do Exército disse suspeitar que tenha sido transferido do seu cargo em Guantánamo por ter manifestado restrições éticas à inspecção da correspondência judicial.

Os réus podem ser condenados à morte pelas acusações relativas ao ataque com aviões comerciais sequestrados, que matou 2.976 pessoas.

O juiz disse que vai avaliar a questão da correspondência jurídica, Terça-feira, após ouvir depoimentos sobre outro assunto.

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