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Residentes de Pessene pedem agua e fim ao roubo de gado

Os residentes do Posto Administrativo de Pessene, distrito de Momba, pediram maior celeridade na solução de problemas como o abastecimento de água e o roubo de gado, protagonizado por pessoas que muitas vezes acabam impunes.

As queixas foram apresentadas hoje em Pessene, sede do posto, no comício popular que o Presidente moçambicano, Armando Guebuza, dirigiu neste ponto da província, inserido na Presidência Aberta e Inclusiva, que o levará a escalar também os distritos de Matutuine e Boane. O posto administrativo de Pessene é caracterizado por uma baixa fertilidade dos solos, em consequência da permanente escassez de precipitação, facto que torna quase insustentável a produção de várias culturas alimentares.

Contudo, a pecuária é altamente dominante e o posto conta actualmente com cerca de 3.700 bovinos e 9.500 caprinos. A progressiva multiplicação destes animais está em risco, porque multiplicamse casos de pessoas que se deslocam a Pessene e, na calada da noite, roubam o gado das populações. Os lesados, que nalguns casos até conseguem neutralizar os ladrões de gado, são frequentemente dominados pelos bandidos, dadas as longas distâncias que têm de percorrer até chegar a um posto policial.

Deste modo, os malfeitores acabam se escapulindo reconquistando, por conseguinte, a sua liberdade e retorno as suas actividades criminais. No comício, as populações chegaram a propor ao presidente a substituição de bovinos por asininos (burros), que não são comestíveis no contexto cultural moçambicano, para reduzir os casos de roubo.

A problemática da água, aliás tempos houve em que o precioso líquido para abastecer os residentes do posto administrativo era levado de Maputo em vagões cisternas, continua na ordem do dia. Apesar de haver relativas melhorias os residentes pedem a sua expansão para mais localidades e povoados. A salinidade do lençol freático em cerca de 80 por cento do território do posto tem constituído motivo de fraca procura para investimento do sector privado.

Além dos problemas de água e de roubo de gado, as populações de Pessene pediram a expansão da rede eléctrica, bem como o melhoramento das vias de acesso, quase inexistentes, para além do próprio sistema de transportes, já que o posto depende unicamente de transporte ferroviário. A falta de uma escola secundária do ensino geral, um centro de saúde para responder a elevada demanda e um médico para assistir os doentes foram outras das inquietações apresentadas ao Presidente da República durante o comício.

Guebuza, que durante quase todo o comício se dirigia em xironga, disse reconhecer a pertinência das inquietações levantadas pelos residentes do posto, mas recordou que apesar de muitas dificuldades subsistirem há sucessos que foram concretizados a medida que o tempo foi andando. “Fizemos muito, mas o caminho a percorrer é ainda muito longo. Porém, as nossas pequenas conquistas até conseguidas nos encorajam e nos dão força para seguir em frente”, sublinhou o presidente. Guebuza, que direccionou o seu discurso a necessidade de preservação do meio ambiente e ao combate a pobreza, disse que Pessene de hoje é diferente daquele de outrora e muita coisa mudou, “e no futuro muita coisa vai mudar e os agentes da mudança são os próprios residentes”.

Quanto aos problemas colocados no comício, o presidente disse que os mesmos terão a devida solução, porque o combate a pobreza está no topo das prioridades do seu Executivo e um dos meios adoptados é a descentralização que deu origem aos conselhos consultivos que têm estado a desempenhar um papel de relevo na agenda de desenvolvimento do país. Ainda hoje, Guebuza orientou uma sessão da Secretaria do Posto Administrativo alargada aos membros do Conselho Consultivo, onde foi passada uma radiografia ao informe do posto administrativo e se reuniu com os jovens da província.

A visita a Pessene foi a primeira de um chefe de estado na história de Moçambique independente, mas Guebuza disse conhecer o local perfeitamente tanto é que na sua infância ia visitar seus tios que ali viviam, embora muita coisa tenha mudado desde então.

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