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Repressão na Guiné matou 157 e deixou mais de 1.200 feridos

Pelo menos 157 pessoas morreram e 1.253 ficaram feridas na segunda-feira em Conacri durante a violenta repressão de uma manifestação da oposição por parte das forças de segurança, informou à AFP a Organização Guineana de Defesa dos Direitos Humanos. Trata-se da pior chacina registrada em apenas um dia nos últimos 25 anos neste país do oeste de África, dirigido desde sua independência da França em 1958 por militares e onde o exército é regularmente acusado de graves repressões.

“Registramos até o momento 157 mortos e 1.253 feridos. Nosso pessoal circulou um pouco por toda Conacri e pelos hospitais, mas não conseguiu ver tudo”, afirmou Thierno Maadjou Sow. As tropas oficiais guineanas abriram fogo na segunda-feira contra uma manifestação hostil à junta militar que governa o país. Um balanço anterior da polícia, divulgado na segunda-feira, citava 87 mortes. Outro balanço, do partido do ex-premier e opositor Sydia Toure, registrava pelo menos 128 mortos.

“Em consequência da manifestação já há 70 mortos no hospital Ignace Deen e 58 no hospital Donka”, denunciou em um comunicado o partido de Toure, a União de Forças Republicanas (UFR). “Além disso, militares foram vistos recolhendo cadáveres nas ruas para levá-los ao campo Alpha Yaya Diallo, sede da junta, provavelmente para evitar uma contagem precisa do número de mortos que mostraria o tamanho da matança”, indica a UFR – cujo presidente, que participava do protesto, ficou ferido na cabeça.

“Os crimes do Exército guineano, porém, não acabam aí: várias mulheres foram estupradas pela guarda pretoriana de Dadis Camara (líder da junta) perto do estádio onde a multidão havia se reunido”, acrescenta o comunicado. “Segundo fontes no local, as autoridades criaram uma armadilha para o povo reunido: o Exército aguardou que o estádio ficasse cheio para entrar e disparar contra a multidão”, afirma o partido de Toure.

Os enfrentamentos continuavam nesta terça com pelo três pessoas foram mortas pelos pelos militares, segundo testemunhas de em Conakry, onde eram ouvidos tiros esporádicos e onde as forças de segurança estavam maciçamente posicionadas nas ruas. O número de mortos pode ser maior, segundo várias fontes, que acusam os militares de estarem escondendo a magnitude do massacre, conforme afirmou a União das Forças Republicanas (UFR, oposição).

França, Estados Unidos, Grã-Bretanha e as principais organizações, entre elas a União Africana (UA), a ONU e a União Europeia, condenaram o massacre e lançaram apelos à calma. A França decidiu suspender imediatamente a cooperação militar com a Guiné e está examinando sua ajuda bilateral em função da repressão, segundo anúncio do chanceler francês Bernard Kouchner. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, criticou o uso excessivo da força contra os manifestantes da Guiné.

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