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Primeiro-ministro da Itália renuncia após derrota em referendo

O primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, anunciou que irá renunciar após sofrer uma derrota esmagadora num referendo que teve lugar no domingo sobre uma reforma constitucional, lançando a terceira maior economia da zona do euro em turbulência política. A decisão de Renzi de renunciar após dois anos e meio no gabinete afecta em cheio a União Europeia(UE), que já sofre com múltiplas crises e lutando para superar forças anti-sistema que atingiram a política ocidental neste ano.

O euro chegou a cair para a mínima de 20 meses contra o dólar, à medida que os mercados ficaram preocupados que a instabilidade da Itália possa reiniciar uma crise financeira e afectar o frágil sector bancário italiano. No entanto, a moeda recuperou-se durante a manhã.

O ministro da Economia, Pier Carlo Padoan, visto como nome possível para substituir Renzi, não irá comparecer a reuniões agendadas com colegas europeus em Bruxelas nesta segunda-feira e na terça, informou uma fonte do Tesouro.

A renúncia de Renzi pode abrir as portas para eleições antecipadas no próximo ano e para a possibilidade de um partido anti-euro, o Movimento 5-Estrelas, ganhar o poder no coração da zona da moeda comum. O 5-Estrelas fez uma campanha intensa pelo “não” no referendo.

“Assumo total responsabilidade pela derrota”, disse Renzi em discurso à nação, dizendo que irá entregar a sua renúncia formal nesta segunda-feira ao presidente Sergio Mattarella. “Irei receber o meu sucessor com um sorriso e um abraço, quem quer que seja”, disse ele, lutando para conter as emoções ao agradecer a esposa e os filhos pelo seu apoio. “Não somos robôs”, afirmou a certa altura.

O “não” obteve impressionantes 59,1 por cento dos votos, de acordo com a contagem final. Cerca de 33 milhões de italianos, ou mais de dois terços dos eleitores elegíveis, depositaram os seus votos depois de meses de uma campanha agressiva em que Renzi rivalizou com todos os grandes partidos de oposição, incluindo o anti-sistema 5-Estrelas.

Mattarella irá consultar os líderes partidários antes de escolher um novo primeiro-ministro, que será o quarto chefe de governo sucessivo a ser nomeado sem um mandato eleitoral, um facto que sublinha a fragilidade do sistema político do país.

O plebiscito encerrou meses de campanha por uma reforma que, segundo Renzi, iria levar estabilidade política à Itália, mas que opositores afirmavam ameaçar os contrapesos democráticos.

Renzi, de 41 anos, assumiu em 2014 prometendo modernizar a Itália e apresentando-se como um “demolidor” avesso ao status quo e determinado a romper uma burocracia asfixiante e reformular instituições decadentes.

O referendo de domingo, concebido para acelerar o processo legislativo reduzindo os poderes do Senado e de autoridades regionais, deveria ter sido a sua conquista definitiva.

Num país habituado à sistemática mudança de governos, Itália pode estar confrontada agora com uma questão nova passível de gerar ondas de choque na União Europeia. Desde logo pelas posições muito rígidas sobre a política de acolhimento de refugiados defendida por Beppe Grilo, mas sobretudo porque, tem vindo a colocar em cima da mesa a vontade de avançar com o referendo sobre a permanência do país na União Europeia.

A concretizar-se, constituiria uma terrível dor de cabeça para o equilíbrio da EU, com consequências imprevisíveis, em particular após a vitória do “Brexit” em Inglaterra.

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