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Renegociar megaprojectos “amigavelmente”

O processo de renegociação dos contratos assinados entre o Governo e os megaprojectos implantados em Moçambique deve ser feito de “forma amigável”, alegadamente, para se evitar a fuga do investimento externo do país, sugere Victor Duarte Lledo, representante-residente do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Moçambique.

Victor Lledo justificou a sua opinião referindo que experiências vividas em vários países que tiveram que enveredar pela renegociação dos contratos resultaram em “casos bem e mal sucedidos”, segundo a forma como os processos foram iniciados e desenvolvidos.

Explicou que se as renegociações forem impostas pelos países onde os projectos estão implantados, “sempre resultam em casos mal sucedidos, por isso sugiro que Moçambique enverede por renegociações amigáveis”, frisou Lledo, quando solicitado pelo Correio da manhã a opinar sobre a possibilidade de o Governo vir a encetar renegociações dos contratos com os megaprojectos para estes contribuírem no desenvolvimento socioeconómico do país à medida das suas capacidades e dimensão.

Missão do FMI Sobre o pensamento da mesma instituição quanto às recentes medidas governamentais de retirar subsídios aos combustíveis e a bens alimentares e introdução da cesta básica para as camadas mais pobres da população moçambicana, entre outras, Victor Lledo respondeu com um simples “foram medidas corajosas e bem pensadas”, precisando apenas de melhorar alguns aspectos não devidamente mencionados.

Lledo disse, entretanto, desconhecer, exactamente, o número total da população moçambicana mais pobre e dos beneficiários das mesmas medidas, realçando que “o que eu sei é o que você também sabe. Não tenho números exactos, mas estou contente porque o Governo diz que vai melhorar as medidas para beneficiarem efectivamente os mais carentes”.

Lledo falava na passada sexta-feira à imprensa sobre as conclusões a que chegou a missão da sede do FMI a Moçambique que esteve em visita de trabalho ao país para proceder à segunda avaliação do programa trienal do Instrumento de Apoio à Política Económica (PSI).

De uma forma geral, a missão concluiu que o forte crescimento das exportações dos megaprojectos compensa a crescente factura de importação relacionada com o rápido crescimento dos preços internacionais dos combustíveis e dos alimentos e melhora as contas externas, mantendo as reservas internacionais em níveis confortáveis.

No entanto, os efeitos secundários na economia doméstica impediram um declínio mais rápido da inflação que continua a impor um peso considerável sobre os segmentos mais vulneráveis da população.

A missão reuniu-se com os ministros das Finanças, Manuel Chang, e da Planificação e Desenvolvimento, Aiuba Cuereneia, e ainda com o governador do Banco de Moçambique, Ernesto Gove.

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