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Renamo apresenta “provas” de fraude eleitoral

A Renamo, o maior partido da oposição de Moçambique, apresentou esta quarta-feira, em Maputo, alguns documentos que considera como sendo uma das “provas” das alegadas irregularidades registadas nas eleições da semana passada.

Trata-se de 10 boletins de voto preenchidos, metade dos quais com sinais de eleição da Frelimo escrita a esferográfica e a outra parte com “x” indicando a escolha do candidato presidencial deste partido, Armando Guebuza, que concorria para a sua própria sucessão.

A Renamo diz ter arrancado todos estes boletins no dia das eleições (dia 28 de Outubro passado) das mãos de um tal de Sualehe Malda que se encontrava numa fila prestes a jogar estes votos nas urnas da mesa de voto número 541 do posto de votação Gipson, montada na cidade da Ilha de Moçambique, província de Nampula, Norte do país.

“Mais uma vez queremos reafirmar que os presidentes das mesas de votação ordenaram as detenções dos delegados de candidatura da Renamo com o objectivo principal de introduzir os boletins de voto nas urnas a favor da Frelimo e do seu candidato. O exemplo vivo são estas provas que temos aqui na Ilha de Moçambique”, disse Saimone Macuiana, mandatário nacional da Renamo, falando hoje em conferência de imprensa convocada para a apresentação destes documentos.

A Renamo diz que “milhares” de seus simpatizantes foram impedidos de votar na Ilha de Moçambique. A avaliar pelas suas características, os boletins de voto apresentados pela Renamo são genuinamente originais, sendo por isso que até eles pararem nas mãos do suposto Sualehe Malda ou da Renamo houve alguma corrupção envolvendo o pessoal do Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE).

Nenhuma pessoa pode ter acesso a esse material eleitoral sem o consentimento de um agente do STAE porque este fica guardado num envelope inviolável, apenas aberto quando inicia o processo de votação. A AIM perguntou a Macuiana se o seu partido possuía outras provas válidas para sustentar a sua acusação (como fotografias, testemunhas, entre outras) para suportar esta acusação, ao que respondeu “as provas são estes boletins, preenchidos com a mesma tinta de esferográfica, o que indica ter sido a mesma pessoa a fazer.

Nós não seríamos capazes de mandar produzir este material na Africa do Sul”. Outra prova apresentada pela Renamo é uma carta supostamente escrita pelo seu delegado de candidatura, Bilaly Vuqueque, ora detido, relatando esta ocorrência que envolve Malda, um tal de educador de adultos na Ilha de Moçambique.

“O nosso espanto é o facto do delegado de candidatura que surpreendeu este senhor Malda ter apresentado a queixa a policia e esta, ao invés de deter o violador da lei, optou por deter o delegado de candidatura, deixando o violador da lei, a mando da Frelimo, a passear à sua classe, o que se conclui que os agentes da Polícia actuaram sob orientações do partido Frelimo”, disse a fonte.

“Estes actos e outros demonstram, à partida, que o processo eleitoral de 2009 enferma de graves irregularidades que põem em causa a sua credibilidade”, acrescentou Macuiana, reiterando que nem a Renamo nem o seu candidato presidencial irão aceitar o resultado destas eleições. Entretanto, as ameaças da Renamo sobre as medidas a tomar caso os resultados destas sejam alegadamente fraudulentos reduziram.

Perguntado sobre as medidas a tomar futuramente, Mucuiana respondeu que “os passos a seguir serão dados em conformidade com a lei… quando as eleições são enfermadas de irregularidades, elas são invalidadas”. Membros do mesmo partido, incluindo o seu líder, Afonso Dhlakama, já vieram publicamente “avisar” sobre as medidas que irão tomar caso os resultados das eleições sejam fraudulentas, sendo algumas das ameaças a de “pôr o país a arder” e “dividir o país pelo Rio Save”.

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