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Reeditadas memórias do patriarca Honwana

Reeditadas memórias do patriarca Honwana

Foi reeditada na passada sexta-feira(5), na Mediateca do BCI, em Maputo, o livro “Memórias” de Raúl Bernardo Honwana. A obra, lançada a título póstumo e com a chancela da editora moçambicana Marimbique, conta a partir de agora com três edições em português, datando a primeira de 1985, quando o autor já tinha 80 anos.

Na mesa de honra contou com a presença de Nelson Saúte, director-geral da editora Marimbique; o filho, Luís Bernardo Honwana; a esposa Nely, conhecida por Vovó Neli; José de Castro da Norprint – empresa portuguesa que imprimiu a obra -; e Teresa Cruz e Silva, autora do prefácio e apresentadora do livro.

Castro começou por dizer que era um privilégio ser amigo da família Honwana e exortou à continuação do projecto mas desta vez na sua versão feminina. “A avó Nely [esposa de Raúl Honwana], confessou-me que gostaria de escrever também as suas memórias, mas que o filho Luís andava muito atarefado e com pouco tempo para isso. Espero que ela requisite os filhos, os netos e os bisnetos que nós cá estaremos para mais um lançamento.”

Teresa Cruz da Silva, prefaciadora e apresentadora da obra, disse que “com este trabalho, a editora e a família do autor, prestam uma merecida homenagem póstuma a Raúl Honwana. Através do seu percurso de vida e dos indivíduos a quem ele procura dar visibilidade, prestam também uma homenagem quer a uma geração de mulheres e homens seus contemporâneos que sofreram directamente a realidade de exploração capitalista colonial, quer a uma segunda geração de nacionalistas e militantes clandestinos que lutaram pela libertação do país, muitos dos quais parecendo nas cadeias da PIDE.

Mais adiante referiu: “Li várias vezes “Memórias” Raúl Honwana e, em cada uma dessas leituras, acabei por me situar, quase sempre, na posição de ‘marinheiro da primeira viagem’, ao descobrir em cada leitura uma novidade. […] O trabalho de Honwana é também a história de uma família que se cresce e solidifica sobre os alicerces dos princípios éticos profundos, onde o respeito, a amizade, o amor e a solidariedade, enraizados em valores cristãos, marcam os momentos mais difíceis da sua trajectória de vida.”

Depois, foi a vez do filho Luís Bernardo, ex-ministro da cultura de Moçambique, tomar a palavra para dizer que o pai “gostava muito de narrar, de contar coisas e, ao ler este livro, os que o conheceram ouvem a cadência da sua voz. Ele tinha o gosto de contar e os episódios cristalizavam-se em histórias.”

Mais adiante referiu: “Neste seu gosto de contar histórias acabou por ser identificado pelas pessoas que faziam história, desde sempre. Lembro-me da amizade dele com pessoas como Alexandre Lobato, Rita Ferreira, e, mais tarde, Aquino de Bragança. Mas mesmo não se tratando de pessoas ligadas à história havia sessões que o meu pai organizava com os seus compadres onde se discutia factos da vida corrente procurando confrontar as várias versões. Trocavam livros, discutiam- nos, era uma tertúlia. É interessante que pessoas de origem humilde, com qualificações académicas mínimas, muitas delas só com a 4ª classe, tivessem este tipo de preocupações.”

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