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Rebeldes enfrentam ofensiva de Khadafi no oeste da Líbia

Rebeldes enfrentam ofensiva de Khadafi no oeste da Líbia

O ditador líbio, Muammar Khadafi, lançou esta terça-feira uma ofensiva na parte oeste do país, num esforço para reverter o avanço dos rebeldes da oposição que já controlam a faixa leste do país. Moradores relataram batalhas com tropas leais a Khadafi em Nalut, Misrat e Zawiyah.

Moradores disseram que forças pró-Khadafi mobilizaram-se para retomar o controle de Nalut, a cerca de 60 quilômetros da fronteira com a Tunísia, e impedir que ela caia em poder dos rebeldes. As forças de Khadafi reforçaram ainda sua presença na remota localidade de Dehiba, também na fronteira com a Tunísia, e decoraram o posto de passagem com as bandeiras verdes do regime.

Repórteres que estão no lado tunisino viram veículos do Exército da Líbia e soldados armados com fuzis Kalashnikov. No dia anterior, não havia presença militar líbia nesse posto fronteiriço. Forças leais ao ditador líbio lançaram ainda uma batalha de seis horas na madrugada desta terça-feira para tentar reconquistar a estratégica Zawiya, apenas 50 km ao oeste da capital Trípoli.

Khadafi chegou a ameaçar bombardear os opositores em Zawiya, segundo o canal de TV Al Jazeera. Os rebeldes, que incluem militares desertores, estão armados com tanques, metralhadoras e bateria antiaérea. Eles reagiram ao avanço das tropas de Khadafi, que levava as mesmas armas e atacaram de seis direções. Não há relatos de vítimas no combate.

“Nós não desistiremos de Zawiya a nenhum custo”, disse uma testemunha, que preferiu não se identificar. “Nós sabemos que ela é estrategicamente importante. Eles lutarão para consegui-la, mas nós não desistiremos. Nós conseguimos derrotá-los porque nossos espíritos são nobres e os espíritos deles são nada”.

As testemunhas disseram que os jovens de Zawiya estão nos telhados dos prédios na cidade para monitorar os movimentos das forças pró-Khadafi e acionar alerta em caso de ataque iminente. Elas disseram ainda que o regime Khadafi chegou a oferecer generosas quantias para os rebeldes entregarem o controle da cidade de volta para as autoridades.

As forças do ditador, que resiste à forte pressão interna e internacional, também tentaram reconquistar Misrata, a terceira maior cidade líbia, localizada 200 km a leste de Trípoli. As forças rebeldes conseguiram derrotá-las, mas um dos porta-vozes dos chamados ‘jovens da revolução de 17 de fevereiro’ garantiu ao canal Al Jazeera que ao menos três pessoas morreram.

NERVOSISMO

Khadafi, que está no poder há mais de 41 anos, já perdeu o controle da metade leste do país desde que os protestos pedindo sua queda começaram há duas semanas. Trípoli, com 1,5 milhão de habitantes, é o último bastião do poder de Khadafi.

Vários líderes tribais, autoridades do regime e chefes militares já passaram para o lado dos rebeldes, levando consigo enormes extensões do país, que tem 6 milhões de habitantes. A maior parte dos recursos petrolíferos líbios já está nas mãos da oposição.

Na região de Trípoli, havia filas nas padarias na manhã desta terça-feira. Moradores disseram que vários estabelecimentos estavam limitando a venda de pães, o que obrigava a população a passar por várias padarias para abastecerem-se. “A situação está nervosa”, disse o médico Salah, numa padaria onde cerca de 15 pessoas faziam fila no lado de fora. “Claro que estou preocupado. A minha família está com medo (…), temos ouvido tiroteios. Tenho 35 anos e é a primeira vez que vejo algo assim na Líbia. É muito assustador.”

Alguns analistas avaliam que, diante da grande pressão internacional, Khadafi não irá realizar uma ofensiva militar de grande escala para tentar recapturar territórios. As ameaças feitas por ele nos últimos dias estariam, segundo esses analistas, no campo da “manobra política”.

“Khadafi está acabado se fizer (um ataque militar), e está acabado se não fizer. Em ambos os casos, ele está muito vulnerável”, disse o ativista e editor líbio Ashour Shamis, que vive no Reino Unido. “Ele está perdendo pedaços da Líbia muito rapidamente. Não tem influência senão em Trípoli, e mesmo lá há áreas muito pequenas sob seu controle.”

Observadores regionais preveem que os rebeldes acabarão por conquistar Trípoli, e que irão matar ou prender Khadafi.

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