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Rebeldes acusam exército etíope de fazer limpeza étnica

Tropas do governo executaram civis e fizeram limpeza étnica na região somali da Etiópia, disse um grupo rebelde na sexta-feira. A Frente de Libertação Nacional Ogaden (ONL, na sigla em inglês) disse que os corpos de um funcionário público e um empresário foram encontrados em Kebridehar, no leste da Etiópia, em 17 de janeiro, um dia depois de eles e 17 outras pessoas terem sido detidas por autoridades de segurança.

O governo rejeitou as alegações. O porta-voz do governo Shimelis Kemal disse à Reuters que ocorreu um pequeno tiroteio entre policiais locais e combatentes da ONLF em Kebridehar em 10 de janeiro, depois de membros da ONLF terem matado um civil. “Nem sequer houve envolvimento do exército etíope; isto não pode ser visto como limpeza étnica,” disse Shimelis. “Foi uma medida tomada pela polícia contra atividades terroristas.”

Em comunicado, a ONLF disse: “Os arames usados para asfixiar as vítimas foram deixados em volta de seus pescoços com a finalidade de aterrorizar ainda mais a população da cidade.” Ainda segundo o comunicado, o paradeiro do resto do grupo é desconhecido.

A ONLF luta pela independência da província de Ogaden, cuja população é majoritariamente de etnia somali. A Etiópia acredita que a bacia de Ogaden pode conter reservas de gás de 4 trilhões de metros cúbicos e grandes reservas de petróleo, atraindo o interesse de empresas estrangeiras.

Os rebeldes disseram que, num segundo incidente, tropas do governo decapitaram uma mulher e feriram 27 pessoas enquanto saqueavam a cidade de Higlalay. “Como estamos no auge da estação seca e há escassez de água e alimentos, há necessidade urgente de ajuda humanitária para as vítimas, mas o mesmo Exército que está cometendo esses crimes controla a ajuda,” disse o comunicado da ONLF.

Não é a primeira vez que a ONLF acusa tropas governamentais de cometer atrocidades na região. Em novembro do ano passado, a organização disse que soldados tinham torturado centenas de civis deslocados de suas casas. É impossível verificar a veracidade das acusações, porque jornalistas e grupos humanitários não podem deslocar-se livremente na região.

Em outubro passado, a Etiópia assinou um acordo de paz com uma facção da ONLF, mas outra facção descreveu o acordo como “irrelevante.” A facção com a qual Adis-Abeba firmou o acordo afirma representar 80 por cento dos combatentes da ONLF.

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