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Quiribone I: Morte do Pandza

É do senso comum que a música é algo que permanece no tempo e jamais sai da moda. Ela pode sofrer modificações na evolução do tempo mas sempre continuará a ser a mesma. Música jamais deixará de ser música.

Indo mais longe, ouso em afirmar que a música que fez sucesso nos anos ´80 nas discotecas, hoje, a mesma, pode agradar a muitos e mover esqueletos.

Há quem possa questionar se o mesmo pode acontecer com o nosso “pandza”. Pessoalmente, tenho muitas e sérias dúvidas. Não sei se esse, a que me atrevo chamar estilo musical, é capaz de agradar a todos e em todos os momentos, visto que a história tem sido muito contundente no seu julgamento, o condenando sempre para o esquecimento depois de alguns dias de sucesso e vulgarização.

Mas que faltará para que o “pandza” seja efectivamente um estilo legendário? Se calhar, seja este um bom problema de pesquisa para os que insistem em levantar aquele género musical para patamares ambicionados, falsamente alcançados outrora quando alguns, subidos pela fama, se meteram em filmes pornográficos, compraram carros luxuosos e/ou roubados e denunciaram a necessidade de segurança pois achavam que já não faziam parte deste maravilhoso povo, um povo muito especial vítima do nudismo e da insignifi cância desqualifi cada da nossa música jovem moçambicana.

O “pandza” morreu, é um facto. Se existe, é apenas uma réplica da sua própria inexistência.

Os seus fazedores, ontem protestando como a real identidade da música “made in Mozambique” gerada pela mistura da nossa “Marrabenta” e dos vários estilos “modernos” como enfatizavam, hoje, buscam o sucesso e a continuidade no mundo artístico em vários estilos, alguns bem sucedidos e outros não, vez mais, engolidos pela cólera da história.

Uns, mais afoitos e exagerados, misturam-no com mais estilos na grande corrida pela sobrevivência artística e busca incessante pelo prestígio de “ser o primeiro”, esquecendo-se que a portentosa “Marrabenta” é nossa de raiz e precisa de ser, sobremaneira, potenciada.

Esses artistas, “pandzeiros” de outrora, são os mesmos que nos envergonham com músicas cujo conteúdo é banal que só revelam a outra face da nossa pobreza, a chamada pobreza mental. São os mesmos que endoidecidos pela morte do “pandza” promovem o nudismo e a imoralidade da nossa música jovem moçambicana, em nome do modernismo e da suposta globalização.

Eu questiono: Sendo sinal de modernismo e globalização, porque não se transformam em norte-americanos e nos cheguem como importados?

Valorizar a nossa música jovem moçambicana, então não sabem que para o povo muito especial dar valor a essa demência, os artistas se devem valorizar? Então não sabem que uma mulher decente dá-se valor para que seja ela valorizada?

Que fique bem claro que não é toda ela a música jovem moçambicana que não merece valor. Existem jovens como, por exemplo, Hermínio, Azagaia, Anita Macuácua, Júlia Duarte e Didácia, só para citar exemplos, que são pelo país, pelo valor, pela exaltação e pelo reconhecimento.

Reparem que estes artistas evitaram sentir o gostinho medíocre do “pandza”, daí que permanecem onde sempre estiveram: em forma e em bom estado de conservação.

Concentremo-nos numa questão de refl exão: Não parecem os que insistem em levantar o inexistente “pandza” doidos e idiotas?

Pois, que haja bom senso na nossa música jovem moçambicana e não seja o povo heróico de arma em punho empenhado em combater a pobreza, vítima, (in) felizmente, da morte do “pandza”.

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