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Quirguistão: 124 mortos e mais de 60.000 refugiados por violências étnicas

A violência étnica se intensificava nesta segunda-feira no sul do Quirguistão, no quarto dia de confrontos armados entres quirguizes e uzbeques que já causaram 124 mortos e obrigaram a mais de 60.000 pessoas fugirem. Em Osh, segunda cidade do país, onde explodiu na noite de quinta-feira passada os enfrentamentos entre quirguizes e membros da minoria uzbeque, os disparos ainda são constantes. Os corpos calcinados que jazem pelas ruas, junto com carros e casas queimadas, mostram o nível da violência dos últimos dias, segundo um jornalista da AFP. O balanço pode ser muito superior aos 124 mortos e mais de 1.500 feridos anunciados esta segunda-feira pelo ministério da Saúde.

Apesar de ter mobilizado o exército, instaurado o estado de emergência e um toque de recolher, além de dar ordem a suas forças para disparar, o governo interino do Quirguistão admitiu que está difícil retomar o controle no sul desta ex-república soviética da Ásia Central. Por temor da violência étnica, milhares de refugiados fugiram nos últimos dias para o Uzbequistão. Cerca de 60.000 refugiados já foram registrados na região uzbeque de Andijan, fronteira com o Quirguistão, uma cifra que não contabiliza milhares de crianças, afirmou por telefone à AFP Izzat Ibraguimov, chefe adjunto do ministério de Situações de Emergência nessa região, dando a entender que poderão ser 100.000 os refugiados no leste do país.

Os deslocados afirmam, por sua parte, que o número de vítimas é muito mais elevado que o anunciado pelo governo. Em função disso, o Uzbequistão anunciou que fechará nesta segunda-feira sua fronteira com o Quirguistão, e pediu ajuda internacional para os 45.000 refugiados adultos e seus filhos que já foram oficialmente recebidos, informou o vice-primeiro-ministro uzbeque, Abdullah Aripov. A comunidade internacional começava, por sua parte, a mobilizar-se para encontrar um meio de recobrar a paz e entregar ajuda humanitária.

A Alta Representante de Política Exterior da União Europeia, Catherine Ashton, disse estar muito preocupada e anunciou que enviará seu emissário para a Ásia Central. Por outra parte, segundo as agências russas, a Organização do Tratado de Segurança Coletiva (ODKB), aliança militar de países da ex-União Soviética do qual o Quirguistão é membro, estudará o envio de uma força de reação rápida. O Quirguistão, Estado pobre, mas estratégico, tem uma base militar russa e uma base aérea americana, esta última crucial para o abastecimento das tropas americanas no Afeganistão.

Estes confrontos são os piores episódios de violência registrados desde a revolta de abril (87 mortos), que derrubou o presidente Kurmanbek Bakiyev e levou ao poder o governo interino atual, que tem previsto celebrar um referendo sobre uma nova Constituição em 27 de junho. Historicamente, as relações entre a minoria uzbeque, que supõe entre 15 e 20% da população quirguisa, e os quirguises são tensas, em particular por motivos econômicos.

Poderosos grupos mafiosos também são ativos na região. Desde a independência do Quirguistão em 1991, após o fim da União Soviética, as tensões entre minorias étnicas se intensificaram no país.

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