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EDITORIAL: “Quiproquó”

Não sabemos se o Governo hoje estará ou não melhor do que ontem, porque, para nos podermos pronunciar sobre tal teríamos de ter em conta factores múltiplos que não dominamos.

No entanto, não cremos que isso seja o mais relevante. O que importará, isso sim, como noutros domínios da nossa vivência colectiva, é o sermos capazes de preservar o que ele tenha de bom e melhorar/corrigir o que se mostrar como menos bom ou mesmo mau.

O progresso civilizacional opera-se sem auto contemplações de que a perfeição terá sido alcançada, nem pessimismos que nos inibam de corrigir e inovar.

Todavia, quando hoje em dia se discute a marginalização a que os antigos Agentes da Segurança do Estado e outros grupos foram votados devemos temer pelo pior. Porque o modo e as circunstâncias em que tal discussão, por vezes, tem lugar, levam-nos a questionar se os respectivos intervenientes estarão, verdadeiramente, empenhados na dignificação dos que sofrem ou, ao invés disso, apenas na reprodução de promessas que querem ver corroídas pelo tempo.

Porém, o que assusta na marginalização destes grupos (Antigos Agentes de Segurança do Estado, Madgermanes, Antigos Combatentes e até a própria população) é a proliferação do ódio no seio dos mesmos em relação aos DONOS DO PAÍS e a tudo o que simbolicamente representa o poder.

Claro que, por ora, é fácil ignorar e continuar a exibição, nos corredores do Conselho de Ministros, de egozinhos vaidosos ou utilizar dinheiro do erário público como trampolim de interesses não menos pessoais ou de grupos restritos. Ou vão-nos dizer que já não nascem empresas de conversão do analógico para o digital bem depois de uma visita de um representante do Estado ao Extremo Oriente?

Tudo isso levanta algumas questões que não querem calar. Quem é que representa efectivamente Moçambique, neste país? O Conselho de Ministros, os membros do partido e alguns milhares de entusiastas que acompanharam presencialmente os Jogos Africanos?

Ou o grosso dos mais de 20 milhões de habitantes que ficou a leste de tal evento, que não percebeu o seu efectivo impacto e a diferença directa ou indirecta nas suas respectivas vidas? É que, enquanto que para os padres da auto-estima estes Jogos foram um retumbante sucesso, para os enteados do país os mesmos foram apenas mais uma prova de que o Governo está pouco se marimbando para as suas reais e prementes necessidades…

Durante semanas este mesmo Governo que diz não ter dinheiro sufi ciente para suprir as necessidades de transporte, alimentação e habitação para os seus NACIONAIS foi o mesmo que recebeu, acomodou, alimentou e transportou ESTRANGEIROS!

Bravo! Organizámos os Jogos e elevámos a nossa auto-estima para quem quiser olhar por esse prisma. Que tal – para falar como Chico, o Nhoca – investirmos o dinheiro da venda das casas (que será muito) daquela que foi a Vila Olímpica na criação de emprego para os desterrados de Moçambique?

Que tal sermos mais dignos e pagarmos o que o Estado deve aos Madgermanes? Que tal ignorarmos presidências esbanjativas, aliás abertas, para colocarmos asfalto e autocarros públicos em bairros como Tsalala e outros com características similares?

Que tal pensarmos em produzir tomate, batata, trigo e cebola? Que tal pensarmos na educação como prioridade efectiva? Em suma: que tal ignorarmos os discursos da autoestima degenerativa, narcisista e nada-dizente e arregaçarmos as mangas? Que tal?

PS: Uma grande mentira que este Governo tenta inculcar nos menos atentos, incautos e distraídos é que estes Jogos foram um sucesso em termos de herança infra-estrutural…

Os supracitados padres da auto-estima, os seus acólitos e demais seguidores do escalão júnior tentam a todo o custo insultar a inteligência de todos nós alegando que o desporto nacional saiu reforçado e atingirá patamares promissores a curto ou médio prazo com a reabilitação de um e outro pavilhão, ou com a construção de uma piscina olímpica e de um estádio somente na cidade de Maputo! Aos cidadãos nacionais das restantes províncias isto é só mais uma evidência da sua sistemática e deliberada marginalização.

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