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EDITORIAL: Questões em aberto com a morte de Bin Laden

Na madrugada do último Domingo, o mundo livrou-se do terrorista mais procurado de sempre, do líder que esteve por trás dos maiores atentados terroristas da História. Ninguém pode esquecer ou ficar insensível ao terror vivido nas embaixadas americanas na África Oriental nos anos ´90.

Ninguém pode ficar insensível ao desabar das Torres Gémeas, símbolo da prosperidade da América, num ataque em que sucumbiram mais de 3500 pessoas. Ninguém pode ficar insensível às centenas de pessoas que pareceram quando se divertiam numa discoteca de Kuta Beach na Indonésia.

Ninguém pode ficar insensível aos vagões de comboios de foram pelos ares em Atocha (Madrid) e que fizeram centenas de vítimas. Ninguém pode ficar insensível às explosões dos autocarros londrinos. Ninguém pode ficar insensível às dezenas de atentados que ocorreram no Iraque desde a invasão pelos Estados Unidos em Março de 2003. Em todos eles morreu gente inocente, gente que passava pelo local errado à hora errada.

O saldo destes atentados foi demasiado elevado para que a única superpotência mundial, os EUA, ficasse de braços cruzados a contemplar a procissão de mortos. Durante 10 anos Osama Bin Laden jogou ao gato e rato com o mundo livre, civilizado, democrata, que tem na vida humana o seu valor mais precioso.

Bin Laden sucumbiu com um tiro na cabeça, após uma operação surpresa meticulosamente engendrada pelos SEAL, a mais bem preparada força de elite dos Estados Unidos. Mas ao matar a cabeça do polvo será que se matou também o seu espírito?

Não me parece, até porque Bin Laden, há cinco anos a viver no local em que foi capturado e sem quaisquer comunicações com o exterior – não tinha telefone, televisão ou Internet -, há muito que a sua liderança não passava de um mito, sabendo-se que o médico egípcio Al-Zawahiri, oficialmente o número dois da organização Al-Qaëda, na prática já era o número um há alguns anos. Não foi por acaso que a CIA subiu imediatamente a recompensa para 25 milhões de dólares a quem der informações que levem à sua captura.

Al-Zawahiri, como se pode ver no Destaque desta edição, só me faz lembrar o célebre Dr. No da saga do 007, personagem interpretada por Joseph Wiseman e que faz tudo para destruir os planos nucleares dos EUA. Era bem bom para todos nós se, neste caso, a realidade e a ficção coincidissem. Contudo, não me parece.

Outro aspecto nebuloso: o Paquistão não ter conhecimento de que o maior terrorista de sempre vivia numa mansão muito maior que todas as outras que a rodeavam e a 800 metros de uma academia militar de elite! Este desconhecimento é, no mínimo, estranho e vem reforçar o jogo duplo que aquele país parece fazer desde o início da guerra contra o terrorismo.

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