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SELO: Que mal tem o 3-100? Escrito por Alcides Bazima

Tentei resistir comentar sobre a propalada venda de cerveja a 3-100… talvez porque também sou um consumidor de bebidas alcoólicas já há anos, antes de 3-100, pois claro! Há gente que enche a boca dizendo que esta promoção está a promover o alcoolismo, está a atrapalhar o futuro dos jovens e a perturbar o aluno que deixa de ir a escola optando pelo consumo de cerveja que está barata.

Outros defendem ainda que o 3-100 contribui no aumento de acidentes de viação nas nossas estradas, na violência, na criminalidade, entre outros males que apoquentam a nossa sociedade. Para mim, esses males já têm barbas brancas na nossa sociedade. Antes do 3-100 “tchilar” como se diz nas lides já vem estando na moda.

Vender álcool a poucos metros das escolas já vem sendo hábito e isso já cimentou muitos debates e ninguém conseguiu colmatar esta situação, só para citar o exemplo das barracas de Museu que estão localizadas ao lado da “secundária Josina Machel” que até hoje ninguém conseguiu destruí-las, talvez por serem na sua maioria propriedade de alguns graúdos da nossa política.

Na escola secundária Estrela Vermelha, ao lado está o mercado com o mesmo nome repleta de barracas que vendem bebidas e lá se dirigem alunos para consumirem. Isso acontece já há anos e o atractivo não era o 3 -100.

Hoje é possível encontrar um pai a beber uma cerveja com o seu filho, tanto na barraca ou em casa, em família, nalgumas situações, sem nenhum problema, como sendo um acto normal. O que importa dizer é que as coisas mudaram, a nossa sociedade mudou, fruto da globalização conforme defendeu na altura o jornalista Gustavo Mavie, ao acreditar que este fenómeno iria alterar muita coisa no seio da sociedade e aqui está.

Não culpem o 3-100 pelos fenómenos tristes que acontecem por aí, pois desde há muito, os carros vêm se acotovelando nas estradas das nossas cidades, na sua maior plenitude, fruto do álcool. Quando o número começou a assustar as autoridades, a Polícia da República de Moçambique, introduziu o teste de alcoolemia nas estradas, numa altura que não existia o 3 -100.

Então, onde está o problema da promoção, pois o número de acidentes vem crescendo desde há muito e os mesmos vem acontecendo, sem o 3-100. Não acredito que o número de situações destas está a aumentar por causa da promoção. O tempo é que mudou, está se a beber muito, mesmo sem esta promoção o número de consumidores vem crescendo. O que está a acontecer é que os supostos peritos, por causa do 3-100, acabaram despertando para analisar as estatísticas no que toca ao número de acidentes e de bêbados.

Agora pergunto, qual é a origem do famoso 3-100? Primeiro importa frisar que quando se trata da marca 2M, o produto vem da única fábrica localizada no vale do infulene. O preço da caixa está fixada na ordem dos 355 meticais e a empresa recomenda para a venda ao consumidor 38 meticais, a garrafa de 550 ml, vulgo, média.

Assim, o lucro por caixa seria de 101 meticais para o revendedor. Com o 3-100, o lucro baixa para 45 meticais, com a vantagem de vender um número elevado de caixas, por dia. Antes do 3-100, maior parte dos revendedores operavam com o preço de 35 meticais/média e o lucro fixava-se nos 65 meticais/caixa.

Logo, a fábrica com o último agravamento do preço da cerveja, no ano passado, já deixou uma boa margem de manobra para o revendedor manusear o preço a seu bel prazer, tendo lucro na mesma, dependendo da zona onde está localizada a sua barraca ou estabelecimento, e porque não aproveitar-se do inverno para promover e fazer o seu produto ter muita saída.

É marketing, não há mal nisso. Isto para dizer que, a cerveja 2M de 550 ml sai da única fábrica que conhecemos e não está podre, como muitos gritam por aí. Quanto às cervejas estrangeiras ou, simplesmente, Lite, Heineken, Hansa, etc., o meu ponto de vista subscreve-se nos seguintes termos: a empresa 2M está autorizada a distribuir a marca sul africana Castle Lite em Moçambique.

Por seu turno, o “muckheristas” mete cerveja no mercado à fartura, para não falar dos próprios alfandegários que viraram “muckheristas” protegendo todas as linhas de entrada de cerveja à capital. Mais ainda, há muita cerveja apreendida nos armazéns das alfândegas e a mesma é retirada a “porta de cavalo” para o mercado pelos próprios alfandegários. Como é que não haverá muita oferta perante estas manobras todas . Economicamente, falando, quando há muita oferta, os preços baixam, para que haja muita procura.

Concluindo, o 3-100 só veio despertar aos menos atentos que, em Moçambique, o número de consumidores está a crescer e beber virou moda. Passaram aqueles tempos em que um jovem para beber pensava duas vezes, até evitava falar com os seus pais quando estivesse sob efeito de álcool. Beber e namorar abertamente, por parte dos nossos jovens deixou de ser tabu.

O que se pode fazer é continuar-se a apelar à juventude sobre o mal do álcool, intensificando as propagandas como acontece quando se trata do HIV-Sida. “O combate ao alcoolismo começa consigo”.

O 3-100 é bem-vindo, pois em todas as sociedades quando os preços dos produtos baixam é sempre bom para o consumidor, principalmente, aquele de baixo rendimento.

Por exemplo, actualmente, o cidadão que aufere um salário mínimo, pode, sem problemas, acompanhar uma refeição com uma cerveja.

Por outro lado, os jovens que enveredavam pela famosa Tentação, Double Punch, Boss, entre outras bebidas secas da pesada, já se dão ao luxo de consumir uma cerveja.

Não condenemos o 3-100, mas sim, vamos alertar sobre o perigo do consumo excessivo de álcool.

 

Escrito por Alcides Bazima

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