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“Moçambique e Malawi não estão em conflito”

O Malawi considera que as suas relações com Moçambique são “muito, muito boas, apesar da media tentar dar impressão de que os dois país estão em conflito”. Falando esta segunda-feira em Maputo, o Alto- Comissário do Malawi para Moçambique e Swazilândia, Martin Kansichi, acusou a imprensa de estar a publicar notícias alegadamente sensacionalistas dando a impressão de que as relações entre estes dois países não estão saudáveis”.

“As relações entre Malawi e Moçambique são muito, muito boas”, disse Kansichi, falando em conferência de imprensa convocada para falar do estágio de cooperação entre os dois países, evento realizado em Maputo no quadro das celebrações, esta terça-feira, do 46º aniversário da Independência do Malawi.

Ele apontou como exemplos de casos “mal reportados” pela imprensa o assalto, pela Polícia malawiana, a um posto da Polícia moçambicana de Guarda Fronteira em Ngauma, província nortenha de Niassa e a alegada retirada de Moçambique do projecto de navegação dos rios Chire e Zambeze, ligando Nsanje, no Malawi, e o porto de Chinde, na Zambézia. A iniciativa integrava Moçambique, Malawi e Zâmbia.

A penalização, no Malawi, de um grupo de seis moçambicanos a pena de morte é outro assunto que na óptica do Alto-Comissário foi “mal reportado”. Contudo, o diplomata malawiano considera que as relações entre os dois povos são saudáveis e datam desde antes e durante a luta de libertação do domínio colonial. Segundo ele, em nenhum momento, algumas dessas questões feriram as relações entre os dois países. Sobre o caso de Ngauma, por exemplo, ele explicou que logo depois do incidente, a comissão de cooperação na área de Segurança se reuniu e discutiu o assunto.

Ele não adiantou detalhes sobre as conclusões das discussões havidas nesse encontro (isso deverá ser feito pelo Governo moçambicano), mas assegurou que nunca mais irá acontecer um incidente do género. Em relação ao projecto de navegabilidade do Zambeze e Chire, Kansichi explicou que Moçambique simplesmente “liderou” a retirada, por não confiar no consultor que na altura ia ser contratado para avaliar a viabilidade do projecto (porque tinha falhado outros trabalhos no passado).

“Depois disso, o Malawi retirou-se e depois seguiu a Zâmbia. Mas o projecto vai andar e há outros interessados. Semana passada, tivemos um encontro organizado pelo Ministério de Transportes e Comunicações em Pemba e o Ministro zimbabweano manifestou-se interessado em integrar o projecto”, explicou ele. No tocante aos seis moçambicanos encarcerados no Malawi e que foram condenados a pena de morte, Kansicha explicou que, apesar de haver pena de morte no seu país, há 15 anos que essa não é aplicada a ninguém.

Segundo ele, no Malawi tem havido um debate nacional sobre a abolição ou não da Pena de Morte e a liderança não tem autorizado a realização de enforcamentos. Isto é, os tribunais condenam criminosos a pena de morte, mas o Presidente da República não tem assinado o mandato de execução de enforcamento, convertendo-se assim, automaticamente, a pena para a de Prisão Perpétua.

Moçambique partilha fronteiras terrestres com Malawi através das províncias de Tete, Niassa e Zambézia. Alias, todas as três províncias do Malawi fazem fronteira com Moçambique e mais de metade (17) dos 28 distritos malawianos também partilham fronteiras com Moçambique. Na ocasião, o Alto-Comissário malawiano referiu-se a diversos acordos de cooperação que o seu país já assinou com Moçambique, com destaque para o de isenção de vistos, de estabelecimento de uma comissão conjunta de cooperação, sobre utilização do Lago Niassa, transporte rodoviário bem como sobre o Corredor de Desenvolvimento de Nacala.

“Agora estamos a preparar acordo para a área da Ciência e Tecnologia, Cultura, Agricultura e, brevemente, vamos assinar um acordo na área da Juventude e Desportos”, anunciou o diplomata. “Precisamos de ajuda da media para o público poder perceber quão longe e profundas são as nossas relações”, sublinhou a fonte.

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