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“Dia da Mentira” tornou-se uma ferramenta de marketing

O Dia da Mentira morreu. Ou melhor, deixou de ser uma brincadeira inocente entre pessoas comuns para se tornar um colosso corporativo controlado por executivos de marketing. Empresas do mundo todo – incluindo Google, BMW e Sony – adotaram a tradição de pregar peças nos incautos no 1º de abril, como forma de mostrarem os seus lados mais descontraídos e conseguirem alguma publicidade gratuita.

O Google, que já faz isso há uma década, brincou com a sua própria onipresença: lançou um arquivo de aromas, fingiu que iria desativar o YouTube, transformou o Google Maps num velho pergaminho, numa espécie de caça ao tesouro, e apresentou o Gmail Blue, nova versão do seu serviço de emails que tem como grande novidade… ser azul.

No Japão, a empresa de telecomunicações KDDI lançou um celular que é na verdade uma cama – para poupar o usuário de ter de se levantar. E a Sony soltou os cachorros, literalmente, ao apresentar uma TV que só exibe imagens em cores que agradam aos cães, e com um controle remoto adaptado ao uso por patas.

No Twitter – ou melhor, “Twttr” -, um blog disse que os usuários que desejarem usar vogais precisarão pagar 5 dólares por mês.

A Procter and Gamble lançou uma versão do seu enxaguatório bucal Scope no sabor “bacon”.

A montadora alemã BMW ofereceu aos leitores da Grã-Bretanha – onde há grande agitação com a iminente chegada de um novo bebê real – o veículo chamado Pram (sigla em inglês para “automóvel real pós-natal”). O anúncio tinha um carrinho de bebê em estilo desportivo, e um cão da raça corgis (favorito da realeza) em frente ao palácio de Windsor.

SÁTIRA

No âmbito mais tradicional das falsas notícias do Dia da Mentira, o Yahoo francês colocou na sua manchete o anúncio de que, por razões de economia, o presidente François Hollande iria transferir o seu gabinete do palácio do Eliseu para um dos subúrbios mais pobres de Paris.

O site Iceland Review Online noticiou que o Banco Central da Islândia havia resolvido o problema de como valorizar a krona, moeda local, que sofreu muito durante a crise financeira – a reportagem satírica informava que a ilha escandinava adotaria como moeda o franco CFA, que circula em vários países africanos.

Na Grã-Bretanha, o Guardian ofereceu ao seus leitores esquerdistas óculos de “realidade aumentada” que permitem “ver o mundo o tempo todo pelos olhos do Guardian”.

O Daily Mail publicou um texto assinado por “Nesta Vowles” sobre o treino de corujas para a entrega de correspondências internas num escritório – o nome do jornalista soa como “ninho de corujas”.

O Sun publicou uma foto de Mick Jagger numa barraca, dizendo que o milionário vocalista dos Rolling Stones teria passado a Páscoa ao ar livre num treino para o festival de rock de Glastonbury.

Mas poucos jornais podem superar o Times Daily, de Florence (Alabama, EUA), que destacou na sua capa de segunda-feira a foto de uma ponte local sofrendo um ataque simultâneo do Monstro do Lago Ness, de um óvni e do Godzilla. “Não há motivo para pânico”, avisou o jornal. “Nenhum tomate assassino foi visto nos arredores.”

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