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Putin quer reforçar o comércio com a UE e evita falar da Síria

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, pressionou, esta Segunda-feira, a União Europeia a acelerar a eliminação da exigência de vistos para cidadãos russos e disse que a UE terá que lidar com uma aliança económica entre as ex-repúblicas soviéticas.

Na sua primeira cúpula com líderes da UE desde que reassumiu a Presidência, mês passado, Putin evitou citar publicamente a questão da Síria e alertou que não irá tolerar críticas ocidentais sobre direitos humanos ou liberdades democráticas.

Depois de enfrentar os piores protestos em 12 anos de domínio político sobre o país, Putin manifestou apoio a um projecto de lei que dificulta a realização de manifestações, aumentando a multa imposta aos violadores.

Ele também defendeu a prisão do ex-magnata petroleiro Mikhail Khodorkovsky, vista por muitos com símbolo das perseguições de Putin aos seus inimigos.

Diante de cépticos líderes europeus, Putin disse estar determinado a buscar uma aproximação da Rússia com a UE, maior parceira comercial do seu país, e defendeu empenho na discussão de um novo acordo entre os países.

“Temos uma boa oportunidade para definir metas estratégicas neste documento e estabelecer um plano de cooperação para o longo prazo”, disse ele no requintado Palácio Constantine, nos arredores de São Petersburgo, sua cidade natal.

Ele alertou, porém, que a discussão deve ser “pragmática e profissional … sem estereótipos ideológicos ou outros”, o que foi visto como um recado velado para que a UE trate a Rússia em pé de igualdade, sem sermões a respeito de questões como os direitos humanos.

A cúpula foi ofuscada pela situação da Síria. Moscovo tem usado o seu poder de veto no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas para impedir qualquer tentativa ocidental de condenar o regime de Bashar al-Assad pela repressão a protestos pró-democracia nos últimos 15 meses.

Putin disse que a questão da Síria foi discutida com os líderes da UE, mas não fez comentários adicionais. A Rússia e a UE têm uma profunda interdependência.

Os europeus precisam do gás e do petróleo exportados pela Rússia, que por sua vez consome produtos da UE. Os dois lados, no entanto, têm atritos por causa de questões como exportações energéticas, acesso aos mercados e direitos humanos. P

utin respondeu directamente às críticas sobre a prisão de Khodorkovsky, outrora o homem mais rico do país, que foi preso em 2003 e cumpre pena até 2016 por crimes financeiros. Os críticos do Kremlin dizem que o empresário foi punido por ter desafiado Putin.

“Onde quer que eu vá, sempre há uma questão primária a ser colocada sobre o destino do senhor Khodorkovsky”, disse Putin em entrevista colectiva ao lado dos presidentes do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e da Comissão Europeia, José Manuel Barroso.

“A Corte Europeia de Direitos Humanos disse que o processo penal e a condenação contra Khodorkovsky não foram politicamente motivados”, disse Putin, referindo-se a uma decisão de Maio de 2011 desse tribunal.

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