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Protesto de medalhista olímpico chama a atenção para distúrbios na Etiópia

Quando o medalhista de prata na maratona, Feyisa Lilesa, completou a prova na Olimpíada que decorreu no Rio de Janeiro, ele cruzou os braços sobre a cabeça, fazendo um “x”, um sinal de protesto contra o tratamento do seu povo, a etnia oromo, pelo governo da Etiópia.

O corredor não voltou para casa depois dos Jogos, temendo pela sua segurança, apesar de o governo ter dito que ele não seria punido.

“(Eu sabia que) seria preso ou morto. Se não, eu não teria nunca permissão para deixar o país ou para participar de qualquer competição ou corrida internacional”, declarou Lilesa à Thomson Reuters Foundation.

“Eu estou bastante certo que essas coisas aconteceriam comigo”, disse ele numa entrevista pelo Skype a partir do Brasil, onde ele continua, depois que o resto da delegação da Etiópia retornou na segunda-feira.

A região de Oromiya, casa de mais de 25 milhões de oromos, tem sido sofrido com meses de distúrbios por causa de direitos à terra e acusações de violações de direitos humanos. Lilesa, de 26 anos, é um dos, segundo activistas, milhares de etíopes que deixaram o país em meio à repressão contra manifestações provocadas pelo conflito em relação ao uso da terra.

A Human Rights Watch estima que 400 manifestantes foram mortos pelas forças de segurança entre Novembro e Junho durante protestos causados pelos planos do governo de incluir partes de Oromiya dentro dos limites da capital Addis Ababa.

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