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Prossegue audiência do pedido de fiança dos acusados pela morte de Emídio Macia; SIGA AUDIÊNCIA NO TWITTER @DemocraciaMZ

A audiência sobre o pedido de fiança dos nove agentes da polícia sul-africana acusados da morte do moçambicano Emídio Macia continua esta Terça-feira (12) no Tribunal de Benoni, em Johannesburg. Defesa alega que o moçambicano esteve envolvido num acidente de viação dias antes da sua morte e que daí poderão ter resultado as lesões encontradas durante a autópsia.

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Os agentes Ncema, Sololo, Meshack Malele, Motome Walter Ramatlou, Percy Mnisi, Bongumusa Mdluli, Sipho Ngobeni, Lungisa Ewababa, e Bongani Kolisi são acusados de terem algemado o moçambicano, que em vida exercia a profissão de condutor de um taxi de transporte semi-colectivo de passageiros, a uma viatura da polícia o que arrastou por cerca de 400 metros e ainda de o haverem terem torturado e causado ferimentos que resultaram na morte de Emídio numa cela da esquadra.

Nesta Segunda-feira o Ministério Público voltou a destacar os dados da autópsia, que revelaram graves sevícias no corpo do jovem moçambicano e que a causa da morte foi hipóxia. A acusação alega que Mido Macia foi brutalmente agredido antes e depois da sua prisão.

No dia 26 de Fevereiro várias pessoas filmaram Emídio Macia a ser agredido, algemado à traseira de uma carrinha da polícia e arrastado por várias centenas de metros pelas ruas de Daveytown, a leste de Joanesburgo. Cerca de duas horas mais tarde, o moçambicano foi encontrado morto na sua cela, com graves ferimentos, incluindo cortes e uma hemorragia cerebral, num caso que chocou a África do Sul e o mundo.

Na audiência desta Segunda-feira o procurador público December Mthimnuye afirmou que o moçambicano “morreu devido a lesões internas que demonstram o grau de violência que sofreu”, descrevendo as circunstâncias brutais que terão rodeado a detenção do moçambicano.

Mthimunye acrescentou que o moçambicano até tinha hemorragias no coração e argumentou que “isso aconteceu na esquadra da polícia”, referindo que já estava ferido quando foi posto na cela. “Estava a chorar, sangrava e já tinha feridas na cabeça”, relatou, acrescentando que “quando foi posto na cela, não tinha calças”. Os polícias “desprezaram os procedimentos” e nem sequer chamaram uma ambulância, indicou o procurador.

A defesa dos nove polícias sul-africanos  alegou que Emídio tinha estado envolvido num acidente em que morreram cinco crianças, dias antes de morrer numa cela de prisão. O argumento da defesa dos polícias foi de que algumas das lesões que o corpo de Macia, de 27 anos, apresentou na autópsia poderiam ter resultado desse acidente, pelo qual podia ser acusado de homicídio.

A defesa contrapôs ainda a alegação de falta de assistência médica questionando sobre afinal quem declarou o óbito de Emídio na esquadra.

Recorde-se que na audiência de sexta-feira (8), os nove polícias declararam-se inocentes, afirmando que Macia atacou um agente e resistiu à detenção depois de ter sido interpelado por estar mal estacionado. O condutor da carrinha da polícia afirmou ter arrancado para escapar à multidão irada que testemunhou a detenção e alegou que não sabia que o moçambicano estava algemado à traseira do veículo.

Nenhum dos agentes conseguiu explicar as circunstâncias em que Mido Macia morreu.

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