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Projecto Pamoja: Maputo acolhe(rá) a grande residência!

Quatro semanas de um trabalho intenso, 13 artistas moçambicanos – entre eles coreógrafos, bailarinos e dois pintores –, três palcos distintos (para a realização de ensaios) e muita dedicação foi a combinação certa para a produção do primeiro Laboratório de Criação Artística. Os seus resultados foram expostos, no dia 28 de Fevereiro, em Maputo. Do universo das obras, no segundo semestre do 2013, um número menor, ou igual a três será desenvolvido no âmbito do Projecto Pamoja.

Os oito trabalhos artísticos – ndingandi, justaposição, 16-25, ele – ela, 5 se(m)tidos, vidas amargas, reflexões 1,2,3 e tensão, apresentados na mostra do primeiro Laboratório de Criação Artística, decorrem no âmbito de um programa maior, o Pamoja, que é a rede pan-africana de produção e residências artísticas.

Em Moçambique o Pamoja é representado pela Culturarte, a sua parceira que – em coordenação com organizações similares no Congo e no Senegal – (a par do financiamento da União Europeia através do Programa ACP Cultures + que estimula este tipo de iniciativas no referido conjunto de Estados) trabalha com os países da África Austral para o desenvolvimento artístico na região.

Como, então, funcionam os sub-organismos do Projecto Pamoja? É simples. Trata-se de uma iniciativa desenvolvida entre três unidades – cada uma na sua região, a Culturarte em Moçambique, por exemplo – que se mantêm em comunicação, entre si, e entre os países sob a sua jurisdição no contexto dos membros de África, Caraíbas e Pacífico (ACP).

É neste sentido que a par de Moçambique – que realizou o primeiro Laboratório de Criação – nas demais regiões de África, onde o Congo e o Senegal são os dirigentes das actividades, realizam-se actividades similares ao Laboratório de Criação Artística. Sabe-se, porém, que o projecto macro – desenvolvido pelo Pamoja – terá a duração de três anos. O foco de apoios aos artistas participantes – que são as residências de criação – está orientado para os processos de criação e não, necessariamente, para os resultados.

“É que uma das maiores fragilidades dos criadores, no contexto dos países abrangidos, é a falta de apoio – entendido como, por exemplo, o acesso a um espaço para a realização de ensaios, pessoas com quem se possa aprofundar os projectos, a possibilidade da execução de exposições ou actuações – para que os artistas possam trabalhar e amadurecer as ideias”, observa Ana Lúcia, a coordenadora de actividades.

Não é obra do acaso que se incluiu, aqui, uma componente de formação que – neste primeiro laboratório não foi muito profunda – pretende ser no futuro. Afinal, na próxima vez, o foco será a realização de residências artísticas.

De acordo com a organização, a partir da mostra realizada no dia 28 de Fevereiro, que confluiu oito subprojectos, serão seleccionados alguns trabalhos cujos artistas poderão ter a oportunidade de beneficiar de melhores condições de trabalho, a fim de que possam apurar as suas obras.

Pamoja será no segundo semestre

De acordo com Ana Lúcia, a coordenadora das actividades no âmbito do evento, até finais deste mês serão conhecidas as obras apuradas para a residência de criação agenda para ter lugar entre os meses de Julho e Setembro.

Sabe-se, porém, que neste primeiro ano do nascimento da iniciativa – que associará artistas de diversas partes do mundo membros da ACP – Moçambique será o país anfitrião das mostras. Além de espectáculos, as realizações incluirão formações, debates e workshops. Recorde- se de que no Laboratório recém-terminado, “criou-se a possibilidade de, pelo menos em aspectos técnicos, os bailarinos beneficiarem de apoio em matérias de iluminação com o técnico francês da área Jean-Pierre Legout”.

“Queremos trazer pessoas que possam contribuir na formação técnica dos artistas moçambicanos. O objectivo é organizar mais aulas, mais seminários, explorando os campos da dramaturgia, da iluminação, da cenografia e da sonoplastia. Há uma série de disciplinas complementares à dança que se devem potenciar”, refere Ana Lúcia.

A Formação (ainda) é fraca

De acordo com Ana Lúcia – uma pessoa com alguma experiência nos projectos de dança contemporânea – o sector da formação ainda é fraco. “Acho que deve haver mais. É uma pena não termos (ainda) um curso superior na área da dança contemporânea”.

“Os bailarinos que, hoje, se dedicam ao sector da dança contemporânea aprenderam uns com os outros, o que é muito bom. Mas é preciso que os artistas tenham mais condições para se dedicarem mais de modo que possam ter o orgulho de afirmar que vivem da dança e que, como tal, são reconhecidos”. Refira-se que a maior parte das actividades, incluindo a mostra final, teve lugar no Centro Cultural Franco-Moçambicano. A Casa da Cultura do Alto-Maé e o Cine Teatro Scala foram utilizados para a realização de ensaio.

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