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Procurando @Verdade – Os bonecos da Guatemala

Aqui, na minha terra, estamos em campanha eleitoral. Como é costume em qualquer período eleitoral – cá e em qualquer outro lugar onde se vote livremente – fala-se de tudo menos de Política. De Política a sério. Daquela que fala dos reais problemas das pessoas e que propõe soluções para as questões que a todos preocupam: saúde, educação, paz, trabalho, habitação, liberdade de facto, dignidade na velhice, segurança, protecção aos mais carenciados, justiça, cultura e todos os demais aspectos que nos permitam ter uma vida que valha a pena ser vivida.

No fundo, o que faz da Política a mais nobre e generosa das actividades humanas. A que é feita por pessoas que sinceramente pensam que o que defendem é o melhor para os seus concidadãos. Para ser franco, não é muito preocupante que não se fale de política em alturas de campanha.

Este período é aquilo que é: umas festas para quem gosta de gritar e agitar bandeiras, discursos para entusiasmar os que já estão convencidos, troca de piadas entre candidatos e uma boa ocasião para quem comenta e opina sobre política de equilibrar as fi nanças familiares. É também neste período que ouvimos com mais intensidade os que desprezam a actividade dos políticos. Aqueles para quem estes são um bando de malfeitores.

O tipo de discurso que mais não faz que desprestigiar a democracia e que põe em causa, como dizia Winston Churchill, o pior sistema político com a excepção de todos os outros. É que não há democracia sem gente disposta a fazer política como não há futebol sem rapazes que joguem à bola. É que vamos lá ver se nos entendemos: há políticos maus, corruptos e mentirosos como há jornalistas, cronistas, advogados, agricultores, pescadores, médicos e juízes que não dignifi cam a profi ssão que exercem. Na Guatemala há uns bonequinhos de madeira tosca que as mães dão aos fi lhos.

Esses pequenos brinquedos servem para que as crianças os coloquem debaixo dos travesseiros para que os medos nocturnos passem para eles e os pequenitos possam dormir sossegados. Em tempos difíceis – como os que atravessamos –, os políticos são uma espécie de bonequinhos guatemaltecos. Utilizamos estes homens e mulheres como um símbolo de tudo o que, no fundo, são os nossos defeitos e atiramos para cima deles tudo o que não gostamos em nós próprios.

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