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Prisioneiro iraquiano morreu depois de ter sido torturado por soldados britânicos

O prisioneiro iraquiano Baha Mousa morreu depois de ter sido vítima de um “episódio assustador de violência fatal e gratuita” e de uma “grave falha disciplinar” dos soldados britânicos, concluiu uma investigação divulgada, esta quinta-feira.

A morte de Baha Mousa ocorreu em 2003, dois dias depois de ter sido detido por militares britânicos. Mas agora, e após um ano de investigações durante o qual foram ouvidas 348 testemunhas, o juiz aposentado William Gage concluiu que a morte se deveu a “violência atroz”.

Gage responsabiliza o Ministério da Defesa britânico por terem sido usados no Iraque métodos de interrogatório proibidos. Baha Mousa tinha sido detido juntamente com outros nove civis por suspeita de fabricar bombas e uma autópsia posterior revelou que não resistiu às agressões. Tinha 93 lesões em todo o corpo.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, condenou este caso de violência. “É verdadeiramente chocante, um incidente aterrador. Isto não deveria ter acontecido. E não deveremos permitir que volte a acontecer”, disse aos jornalistas na sua residência em Downing Street.

O secretário da Defesa, Liam Fox, adiantou, em declarações prestadas na Câmara dos Comuns, que os militares foram culpados por falhas sistemáticas e considerou que os acontecimentos que levaram à morte de Mousa foram “deploráveis, chocantes e vergonhosos”.

E acrescentou: “Não podemos permitir que a desprezível acção de poucos prejudique a reputação do todo. Vou ser claro, Baha Mousa não foi uma vítima da guerra. Mousa morreu enquanto detido, sob custódia britânica. A situação podia ter sido evitada, e portanto não há desculpas. Não há lugar nas nossas forças para maus tratos aos detidos.”

Fox referiu, no entanto, que “certas técnicas verbais e não físicas” continuarão a ser usadas para “garantir a obtenção rápida, em circunstâncias apropriadas, de informação que pode salvar vidas”. E rejeitou uma das recomendações incluídas num relatório de 1336 páginas em que é referido que os soldados não devem gritar durante os interrogatórios, defendendo que isso deve ser feito “com certas pessoas e em certas circunstâncias”.

O chefe do Exército, general Peter Wall, afirmou que as “circunstâncias vergonhosas” da morte lançam uma “sombra negra” sobre a boa reputação da maioria dos soldados. Wall diz, no entanto, que o incidente ocorreu durante uma época em que os militares enfrentavam desafios “hostis e intensos” mas que, mesmo assim, “não há desculpa para a falha disciplinar ou a falta de coragem moral que se verificou”.

Baha Mousa tinha 26 anos e foi preso pelo Exército britânico, juntamente com mais nove iraquianos, no Hotel Haitham em Bassorá, onde travalhava como recepcionista, no dia 14 de Setembro de 2003, por suspeitas de fabricar bombas. Gage relatou que um “grande número” de soldados agrediu Mousa e os outros presos, e que muitos militares sabiam o que estava a acontecer.

Segundo o relatório, a vítima morreu dois dias depois de ter sido presa, devido à sua condição física fragilizada e à violência brutal dos golpes que lhe foram infligidos por soldados comandados pelo cabo Donald Payne. Uma autópsia confirmou que tinha as costelas partidas e uma fractura no nariz e que tinha sido asfixiado.

Mousa encontrava-se muito debilitado pela falta de alimentação e água, e também devido ao calor e exaustão. Durante uma audiência em tribunal, em 2004, o pai, Daud Mousa, disse ter ficado “horrorizado” pelo estado em que se encontrava o filho e que chorou quando teve que identificá-lo após a morte. Nessa mesma audiência, testemunhas afirmaram que os soldados faziam apostas sobre quem pontapeava os presos com mais força.

Payne foi o primeiro membro das forças armadas britânicas a ser condenado por crimes de guerra quando admitiu num tribunal, em 2007, ter utilizado métodos desumanos. Ficou preso durante um ano e foi destituído do Exército.

A investigação também apurou que os métodos violentos de interrogatório, proibidos no Reino Unido há mais de 30 anos, foram usados durante a guerra no Iraque. Mousa esteve encapuzado quase 24 horas, durante a sua detenção, que durou 36.

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