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Primeiros bombardeamentos das forças de Khadafi sobre Bengasi

O bastião dos manifestantes populares contra o líder líbio Muammar Khadafi, a cidade de Bengasi, assistiu, esta manhã, aos primeiros bombardeamentos das forças leais ao regime desde que as autoridades se lançaram, semana passada, à reconquista do território perdido para os rebeldes.

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A confirmação destes primeiros raides aéreos sobre Bengasi foi feita por um dos comandantes militares dos manifestantes populares, Faradj al-Feyruti, ao canal árabe Al-Jazira, o qual precisou que os bombardeamentos se centraram, para já, sobre a zona do aeroporto de Bengasi, a segunda maior cidade líbia e “centro nevrálgico” da rebelião que se insurgiu, há cerca de um mês, contra os 42 anos de regime autoritário de Khadafi.

Ao longo dos últimos dias, as tropas do líder líbio mantiveram um avanço consistente no território Leste do país, tomando à rebelião o porto petrolífero de Ras Lanuf e praticamente recuperando também a cidade petrolífera de Brega (onde se regista já apenas fraca resistência da rebelião), assim como Ajdabiya, está a apenas 160 quilómetros de distância de Bengasi.

Do lado ocidental da Líbia, Misurata, a meio caminho entre Sirte e Trípoli, e já a única cidade daquele lado do país onde a rebelião ainda mantém terreno – após a queda de Zuara, na segunda-feira –, regista igualmente, esta quarta-feira, intensos combates. A cidade permanece sob o controlo da rebelião, de acordo com testemunhos de residentes e rebeldes ouvidos pelas agências noticiosas, e enfrenta desde as 7h00 (locais, menos duas em Lisboa) um ataque muito forte das tropas de Khadafi, envolvendo tanques e artilharia pesada.

“Estão a bombardear de três lados e conseguiram entrar na cidade”, descreveu um residente de Misurata, que se identificou à agência noticiosa britânica Reuters apenas como Mohammed.

Um porta-voz dos manifestantes populares em Misurata indicou à agência noticiosa francesa AFP que morreram “quatro mártires, dos quais dois civis que se encontravam nas suas casas quando estas foram bombardeadas por obuses”, além de dezenas de outras pessoas que ficaram feridas nos ataques. A mesma fonte asseverava que os rebeldes estavam a fazer frente à ofensiva de Khadafi e que “de momento a intensidade dos disparos [de artilharia] diminuíram”.

Um médico no hospital de Misurata avançou por seu lado que o balanço de mortos nos combates desta manhã naquela cidade ascendia a cinco pessoas, mais 11 feridos. “Sabemos porém que mais pessoas morreram. A maior parte das vítimas chegam das zonas leste e sul de Misurata”, precisou.

Saif el-Islam garante que a rebelião “estará acabada em 48 horas”

Conforme as forças leais a Khadafi se aproximam de Bengasi, o filho do líder líbio e seu potencial sucessor Saif el-Islam (a Espada do Islão) garantiu que “tudo estará acabado em 48 horas”, numa entrevista esta manhã ao canal de televisão Euronews. E questionado sobre as conversações que decorrem – de novo, esta quarta-feira, em reunião das Nações Unidas – sobre a eventual imposição de uma zona de exclusão aérea contra a Líbia, para impedir as forças do regime de bombardearem as cidades “libertadas” pela rebelião, Saif el-Islam limitou-se a repetir a mesma certeza de que os rebeldes irão capitular muito em breve.

“As operações militares acabaram. E em 48 horas tudo estará acabado. As nossas forças estão já perto de Bengasi. E qualquer decisão que seja tomada [no seio das Nações Unidas] será tardia”.

Em novo discurso, feito na noite de ontem, Khadafi reiterou que os rebeldes não são mais do que “ratos” e apontou o dedo directamente ao Reino Unido, acusando os britânicos de serem responsáveis pelo movimento de insurgência no país.

“O Reino Unido já não existe, não é mais do que uma sombra daquilo que foi. Tem vindo a promover ataques contra a Líbia”, afirmou, antes de lançar em desafio: “Temos alguma fronteira comum entre nós? São nossos guardiães? Com que direito?”

E instou os Estados Unidos, o Reino Unido e a França – à cabeça da comunidade internacional na defesa de aplicação de medidas mais duras contra o regime líbio, desde que as autoridades lançaram uma forte repressão dos primeiros protestos no país, a 15 de Fevereiro – a darem “aos seus próprios povos a mesma liberdade” que Khadafi diz ter dado ao povo líbio.

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