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Primeira Dama aconselha camponeses a precaverem-se da fome

A Primeira-Dama moçambicana, Maria da Luz Guebuza, pediu as autoridades do distrito fronteiriço de Milange, província central da Zambézia, para trabalharem mais com as comunidades, para pôr termo a prática da venda de todos os excedentes agrícolas ao Malawi e ficarem sem nada, mesmo para consumo próprio.

A esposa do presidente lançou o apelo Terça-feira no concorrido comício popular que dirigiu no regulado de Nhazombe, no âmbito da digressão que está a realizar pela província da Zambézia. Antes do comício, a Primeira-Dama manteve um encontro com os líderes tradicionais, cuja tónica dominante gravitou a volta da questão da educação da rapariga, a alfabetização da mulher e o aumento dos níveis de produção agrícola.

“Ficamos todos satisfeitos quando as campanhas agrícolas geram excelentes níveis de produção, mas não podemos continuar a elevar a nossa boa produção para vender no Malawi a baixo preço e quando precisarmos de milho comprarmos a preço elevado”, apelou da Luz.

Os altos níveis de produção espelham uma resposta ao apelo feito pelo governo, no sentido de estimular a produção. O distrito de Milange, com uma população calculada em 515 mil habitantes, dista a cerca de 320 quilómetros da cidade de Quelimane, capital provincial, e a apenas três da fronteira com o vizinho Malawi, que exerce uma forte influência sobre os seus habitantes tanto é que o “chichewa”, língua local, é também idioma predominante naquele país vizinho.

Milange comemorou segunda-feira o 45º aniversário da sua ascensão a categoria de vila, efeméride que foi marcada por uma diversidade de manifestações culturais do vasto mosaico artístico moçambicano. Contudo, as suas potencialidades agroclimáticas fazem do distrito um verdadeiro e inesgotável celeiro de vários produtos agrícolas de alto rendimento entre eles o milho, a batata-doce de polpa alaranjada, a ervilha aqui vulgarmente chamada feijão “buere”.

Os camponeses de Milange registam níveis excelentes de produção agrícola, mas uma grande parte deste rendimento senão toda ela vai para o comércio no vizinho Malawi, facto que choca a primeira-dama, porquanto durante a viagem para Milange pode ver camiões bem carregados de produtos destinados a venda naquele país.

Apesar de entender que quando os níveis de produção são muito altos e os camponeses quando registam excelentes resultados se vêem na contingência de ter que encontrar uma solução para evitar a perda, da Luz aconselha aos produtores ou a guardar para enriquecer o país ou então a vender no momento ideal. “Quando tiramos da machamba boas quantidades dos produtos que plantamos, não só devemos pensar na sua venda, pelo contrário, temos de saber guardar para garantir os nossos excedentes alimentares”, disse Maria da Luz, acrescentando que caso haja uma forte vontade de vender tudo deve ser mediante um preço de mercado e não de “oferta”.

A semelhança da prática adoptada nas outras escalas da sua digressão pela província da Zambézia, aqui em Milange, Maria da Luz deu espaço às populações para colocar as suas inquietações e depreciações relativas ao dia-a-dia. Os residentes pediram uma intervenção urgente na reabilitação da estrada que liga aos distritos de Mocuba e Gurué, que se encontra em difíceis condições de transitabilidade ate ao ponto de, como afirmam os residentes, o transporte de mercadoria chega a levar dois a três dias. O Fundo de Investimento para Iniciativas Locais é outro assunto arrolado na pauta reivindicativa das populações, sobretudo as mulheres que se sentem completamente excluídas do acesso ao mesmo.

No entanto, a Primeira Dama, sempre atenta as queixas levantadas pelas populações, disse, quanto a estrada, que existe vontade expressa do governo em resolver esta questão, porém, é preciso entender que a sua resolução não vai acontecer de noite para dia, porque Moçambique é um país muito vasto.

O acesso ao fundo, questão aflorada igualmente nos outros pontos por onde passou, Maria da Luz Guebuza pediu que os primeiros beneficiários quando começam a ter retorno do valor saibam devolver a entidade gestora, para que possa passar aos outros que precisam. “A pessoa que submeteu o projecto e recebeu o fundo deve saber devolver o dinheiro quando começa a ter resultados no seu negócio, porque este dinheiro não é oferta, mas um empréstimo. As pessoas devem saber devolver para ajudar os outros que têm os seus projectos a espera de começar”, disse.

Na ocasião, Maria da Luz doou meios e produtos (um colman e duas caixas de refresco a lata) a cinco mulheres de Nhazombe, para iniciarem um negócio para a geração de renda. Gesto semelhante foi feito segunda-feira em Morrumbala no fim das festividades do 1/o de Junho, Dia Internacional da Criança.

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