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Presidente eleito de Honduras começa a trabalhar em governo de unidade

O presidente eleito de Honduras, o conservador Porfirio Lobo, começou a trabalhar na segunda-feira num “governo de unidade nacional” com o qual espera afastar a crise política hondurenha e granjear apoio internacional.

Em seu primeiro discurso, depois de proclamar-se vencedor nas urnas, Lobo ofereceu “mão aberta, franca e sincera, para formar um governo de reconciliação” que assumirá no dia 27 de Janeiro. “Hoje, Honduras decidiu seu próprio futuro para terminar de uma vez por todas com a crise que tanto nos afeta e que tanto dano tem feito aos mais necessitados”, declarou Lobo, do Partido Nacional (PN), em um hotel da capital para dezenas de seguidores. “Não é tempo de mais divisões, é hora de somar e multiplicar, deixemos para trás as diferenças, vamos adiante todos juntos por Honduras”, disse.

Segundo dados parciais do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), em sua segunda tentativa de chegar à presidência Lobo obteria 53% dos votos apurados (60%), contra 36% do rival Elvin Santos, do Partido Liberal (PL), que reconheceu a derrota. A participação teria sido de 61% dos eleitores, uma cifra questionada por Zelaya, que denuncia uma abstenção de 65% a 70%. Lobo deve assumir a presidência em 27 de janeiro, com o desafio de acabar com a divisão da sociedade hondurenha, iniciada há cinco meses com a destituição de Zelaya, e reinserir Honduras na comunidade internacional.

Assim, o grande perdedor da eleição foi Zelaya, que pedira aos hondurenhos que ficassem em casa para não legitimar o golpe de Estado. Zelaya denunciou que o regime de fato inflou os resultados da eleição para “transformá-la em uma mentira para os hondurenhos”. Ele fez a declaração na embaixada do Brasil, onde está refugiado há dois meses. O analista Efraín Diaz Arrivillaga declarou à AFP que “o contexto não é o mais adequado, mas a decisão dos hondurenhos deve ser respeitada.

“Nos permite abrir as portas, o início de um novo processo que pode seguir com um novo governo”, completou. Segundo Lobo, as adesões estão começando a chegar. Segundo o candidato vencedor, Estados Unidos, Alemanha, Colômbia, Costa Rica, México, Panamá, Japão, Itália, Suíça, Indonésia, Emirados Árabes Unidos e França “expressaram que vão aceitar o processo”. Em Washington, o governo americano reconheceu as eleições como “um passo adiante necessário e importante para resolver a crise política”, nas palavras do porta-voz do Departamento de Estado, Ian Kelly.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, chamou de “farsa eleitoral” a votação, assim como a Resistência contra o Golpe, um grupo de quase 50 sindicatos e movimentos sociais e estudantiles ligados a Zelaya. O domingo foi tranquilo em Honduras, com apenas um incidente grave, quando a polícia reprimiu uma manifestação de 500 membros da Resistência contra o Golpe em San Pedro Sula, norte do país, deixando alguns feridos. Segundo o Centro da Justiça e Direito Internacional (CEJIL), 48 opositores ao golpe de Estado foram detidos em San Pedro Sula, mas liberados horas depois.

Quase 30.000 soldados, policiais e reservistas garantiram a segurança das eleições, nas quais os hondurenhos também escolheram três vice-presidentes, 128 deputados e os representantes de 298 governos locais. O Congresso Nacional hondurenho debaterá nesta quarta-feira a eventual devolução do poder a Zelaya. A decisão dos parlamentares poderia aplainar ou entorpecer ainda mais o caminho para o final da crise.

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