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Prêmio FIFA Ballon d’Or: Tutu ganha o Prêmio Presidencial

Um dos líderes da resistência sul-africana contra o apartheid, o arcebispo Desmond Tutu foi agraciado com o Prêmio Presidencial da FIFA na cerimônia organizada pela entidade para premiar os melhores do ano de 2010. Tutu, vencedor do Nobel da Paz, costuma ser citado entre os maiores nomes da história da África do Sul e ficou internacionalmente conhecido com a luta contra o apartheid.

O arcebispo continuou desempenhando um papel significativo no país após o fim da discriminação racial e fez parte da delegação que representou a África do Sul em Zurique por ocasião da escolha da sede da Copa do Mundo da FIFA 2010. A foto que tirou segurando o troféu da Copa do Mundo ao lado de Nelson Mandela, outro vencedor do Nobel da Paz, virou uma espécie de ícone.

Tutu foi também um dos adeptos mais fervorosos do país durante a excelente organização do Mundial de 2010, o primeiro em solo africano. “A Copa do Mundo da FIFA foi uma grande conquista não apenas para a África do Sul, mas para todo o continente, porque nunca havia sido realizada em solo africano”, afirmou o arcebispo sobre o enorme sucesso do torneio.

“Sabíamos que ganhar a disputa para ser sede da Copa do Mundo era algo que não estava relacionado apenas ao futebol, mas também a uma oportunidade para o continente africano conquistar o seu espaço no cenário mundial. Quando começamos o trabalho, enfrentamos muitas dúvidas e ceticismo, e muitas pessoas disseram que os africanos não estariam prontos, mas provamos que elas estavam erradas e que os africanos são capazes de realizar grandes eventos.”

O Nobel da Paz é bastante conhecido na comunidade internacional. Quando a África do Sul iniciou o doloroso caminho da reconciliação pós-apartheid, Mandela pediu que Tutu coordenasse um processo que abriria as feridas do passado, mas aceleraria a cicatrização. O resultado foi a Comissão de Verdade e Reconciliação, que revelou alguns dos piores crimes do apartheid e deu respostas a quem havia perdido entes queridos.

Nos primeiros dias, Tutu chorou copiosamente — talvez a verdade fosse cruel demais até mesmo para um homem que já havia visto algumas das piores atrocidades. Defensor dos direitos humanos, ele foi um dos maiores opositores do apartheid no momento em que os principais líderes da resistência estavam no exílio, na prisão ou mortos.

A chegada da Copa do Mundo da FIFA foi o auge de um grande trabalho do arcebispo, que pôde então desfrutar do espetáculo da solidariedade. “Para nós, o futebol é uma oportunidade de mudar vidas e de os africanos derrotarem a pobreza e superarem outros desafios enfrentados pelo continente”, declarou.

“Na África do Sul, testemunhamos o poder que o esporte tem para a união dos povos. Como muitos sabem, tivemos um sistema no nosso país que discriminava pessoas com base na cor da pele, mas durante a Copa do Mundo vi negros e brancos se abraçando e tremulando a mesma bandeira. Foi emocionante para mim.”

No ano passado, o Prêmio Presidencial foi entregue à Rainha Rânia, da Jordânia, pelo compromisso mostrado com o programa 1GOAL: Educação para Todos.

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