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Porto de Nacala ‘rouba’ negócio da congénere da Beira

A companhia carbonífera de Moatize, a Vale Moçambique, preferiu usar o Porto de Nacala, na província de Nampula, para escoar o equipamento destinado àquele empreendimento de carvão mineral localizado na província de Tete, no centro de Moçambique, preterindo, desta feita, o Porto da Beira, mais próximo daquela região carbonífera.

A opção pelo Porto de Nacala, apesar de haver outras interpretações, prende- se com a dragagem do da Beira, devido aos graves problemas de assoreamento no canal de acesso àquela infra-estrutura, a qual não permite a atracagem de navios de grande calado.

O Porto de Nacala, tido como o de águas mais profundas da costa oriental africana, tem condições para receber, a qualquer período do dia, embarcações de todo o tipo de calado, facto que o levou a ser preferido pela companhia carbonífera, prestes a iniciar com a exploração do carvão mineral dos seus jazigos de Moatize.

É neste contexto que o primeiro navio transportando equipamento diverso para Moatize deverá atracar no Porto de Nacala ainda esta semana. O director executivo do Porto de Nacala, Agostinho Langa, é citado a dizer que o navio é de grandes dimensões, não podendo, por isso, ancorar no da Beira, pelas razões acima indicadas.

Langa acrescentou que a opção da Vale Moçambique pelo Porto de Nacala demonstra, inequivocamente, as condições naturais de navegabilidade que caracterizam este empreendimento, que constitui uma alavanca para, no futuro, continuar a receber mais navios com grande capacidade de transporte.

Nacala dista cerca de mil quilómetros da vila carbonífera de Moatize, na província de Tete, sendo que a carga a chegar brevemente será transportada por via ferroviária até Malawi. Daqui será baldeada para viaturas rumando a Moatize, num percurso relativamente curto.

Importa referir que os custos pela utilização do Corredor de Nacala serão elevados comparativamente aos que resultariam via Beira.

Contudo, as condições de transporte e a necessidade de colocar o equipamento a tempo em Moatize ditaram a escolha de Nacala.

O Porto de Nacala e a respectiva linha férrea, que estabelece a ligação ao Malawi, estão integrados no Corredor de Nacala, há seis anos gerido pelo Corredor de Desenvolvimento do Norte (CDN).

A Vale Moçambique tornou-se, recentemente, accionista maioritária do consórcio, em substituição do Grupo Insitec. Igualmente fazem parte da estrutura accionista do CDN outras empresas nacionais.

No entanto, a escolha que a Vale fez não significa que esteja a “puxar” os ganhos para o empreendimento onde ela é maioritária, em detrimento daquele em que, aparentemente, nem um centavo tem que a torne sócia.

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