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População queixa-se de ameaças dos governantes

Há memória de que sempre vale a pena recordar. No ano passado, quando o Presidente da República de Moçambique, Armando Emílio Guebuza, passou pela Zambézia, concretamente no posto administrativo de Nauela, distrito de Alto Molocué, ouviu queixas de que os dirigentes daquela região da província, não deixam as pessoas sossegadas, principalmente quando estas apresentam preocupações que tocam o governo.

Há exemplos claros e na memória vê-nos o caso também de Gurué, onde um cidadão viu seus bens e respectivo contrato de uso dos sete milhões ser rescindido pelo governo daquele distrito.

E ao que tudo indica, parece que as coisas não mudaram. Num comício que Itai Meque orientou no posto administrativo de Sambalendo, distrito de Mopeia, as queixas vieram a tona.

Os populares que interviram no local foram claros ao dizerem ao governador sobre aquilo que sentem na pele, por parte dos governantes daquele distrito.

Conforme explicaram, muitas pessoas passam por represálias quando apresentam os seus problemas aos governantes locais. Manuel Minez, um dos intervenientes no comício orientado por Itai Meque, não poupou aos governantes locais.

Na sua abordagem, Minez disse de boca cheia que vive de medo, porque depois de falar no pódio, não sabe o que será dele quando for a casa.

“Vou falar pouco, mas não sei se vou sair daqui, talvez vou dormir na cadeia”- disse a fonte para depois acrescentar que “aqui não se pode falar nada com o governo, senão corre sérios riscos” – desabafou.

Uma mulher que interviu no comício, alinhou no mesmo diapasão, ao afirmar que a população não tem palavras e as suas opiniões não são consideradas, dai que pede socorro ao governador para ver se resolve uma vez por todas esta situação. Enquanto estas intervenções iam ao ar, mais de três centenas de pessoas não se cansavam em bater palmas, sinal de que algo não vai bem em Mopeia.

Governador agastado

Já intervindo no local, o Governador da Zambézia, Francisco Itai Meque, mostrou-se agastado com aquilo que ouviu no comício por ele orientado.

Conforme disse, o governo de Mopeia, não anda sincronizado com a população, dai que não se pode governar sem povo. “Se há dirigente é porque há povo, por isso, não gostei de ouvir isso que a população disse” – rematou Itai.

Num outro passo, aquele governante prometeu investigar este caso, porque na sua óptica, as pessoas não podem ser impedidas de falar, visto que a Constituição da República confere este direito de liberdade de expressão a população.

“Não há ninguém que pode impedir que as pessoas falem aquilo que sentem, por isso, os governantes de Mopeia, devem mudar de postura e deixar que as pessoas falem sobre aquilo que sentem” – sentenciou.

Casos similares

No comício similar orientado pelo governador, isto já no posto administrativo de Chire, distrito de Morrumbala, Itai Meque, foi claro ao apelar que as pessoas que fossem ao pódio, não caíssem na instrumentalização, visto que cada um tem direito de se expressar.

Todavia, já no balanço da visita em Morrumbala, Itai quando abordado sobre esta situação, reconheceu que as coisas não tem corrido como se pensam.

“Temos casos destes de pessoas que dirigentes tem tendência de ameaçar pessoas, isso não é bom”-sublinhou o governador, mas com promessas fortes de melhorar a situação.

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