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Polícia secreta síria entrou em casa de activistas para os prender

A polícia secreta da Síria, considerada uma das mais duras do mundo, entrou durante a madrugada em casa de dezenas de opositores e prendeu um número não especificado de pessoas. A noite de terror instalou o pânico entre a população nos arredores de Damasco. Vestidos à civil mas empunhando armas de assalto, os agentes forçaram a entrada em habitações de Harasta, um subúrbio da capital.

A operação começou pouco depois da meia-noite e o alvo foi o bairro de Ghouta, conhecido como o jardim de Damasco. Cresce pois a tensão num país onde a contestação ao regime totalitário do Presidente Bashar al-Assad já provocou a morte a mais de 300 pessoas, cem delas na sexta-feira, dia em que a oposição marcou uma jornada nacional de protesto.

Assad pôs fim ao estado de emergência que vigorava há 48 anos, uma jogada para neutralizar as críticas internacionais ao facto de ter ordenado às forças de segurança que disparassem sobre os manifestantes civis e desarmados. Porém, a medida não teve qualquer efeito prático e o raide da polícia secreta assim o prova. Na sexta-feira e no sábado – no dia do funeral das vítimas morreram mais 12 pessoas -, os manifestantes que exigem o fim do regime de Assad, o desaparecimento do seu partido, o Baas, e a transformação da Síria numa democracia, gritaram palavras de ordem duras, por exemplo “Bashar al-Assad és um traidor e um cobarde”.

Os Estados Unidos, a União Europeia e a Rússia condenaram a actuação do Presidente sírio, mas este ignorou as críticas e os pedidos para pôr fim à violência contra a população. Hoje, a Comissão Internacional de Juristas (CIJ) pediu ao Conselho de Segurança das Nações Unidas a abertura de uma investigação às “mortes em massa” na Síria. “Pensamos que os ataques [contra os cidadãos] estão a ser realizados pelas forças de segurança sírias, por membros da guarda presidencial e por milícias pró-regime”, disseram à Reuters responsáveis do CIJ, que tem sede em Genebra (Suíça) e integra 52 juristas.

O Conselho de Segurança, deve olhar para o que se passa “de forma a apurar responsabilidades”, frisou o secretário-geral desta organização, Wilder Tayler. “E os que estão a ordenar os ataques, incluindo aqueles em que foi usado fogo real contra a população, devem ser detidos e acusados dos crimes. Há, neste momento, provas suficientes para considerar que se tratam de crimes em massa”, acrescentou Said Benarbia, do gabinete de apoio juridico do CIJ para o Médio Oriente. “O Conselho de Segurança tem que apurar a dimensão das violações dos direitos humanos. E tem que decidir se deve ser criada uma missão para apurar se há provas para remeter o caso para o Tribunal Penal Internacional”, concluiu Benarbia.

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