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Polícia antimotim chamada a intervir em confrontos em Ermelo

A Polícia antimotim sulafricana envolveu-se esta semana na guerrilha urbana que opõe as forças da ordem e os habitantes de um bairro de lata na bacia carbonífera do país.

Protegidos por coletes à prova de bala, os polícias carregaram brutalmente sobre os habitantes nas ruas de Wesselton, esta quarta-feira, a principal zona da cidade mineira de Ermelo, situada a cerca de 200 quilómetros a leste de Joanesburgo, onde os conflitos se sucedem desde há três dias.

Assim que eram dispersados pelos tiros de balas de borracha, os grupos de contestatários – exasperados por uma vida de pobreza e desemprego – reagrupavam-se de imediato, procurando reerguer as barreiras de pneus incendiados, que tinham sido destruídas pelas forças da ordem.

“Eles nem perguntam se participámos nos protestos ou se estamos apenas a ver. Eles disparam sobre tudo o que mexe”, contou à AFP Sbusiso Nkosi, de 21 anos, enquanto recuperava o fôlego atrás de uma barraca com teto de chapa, depois de uma corrida louca à frente dos polícias armados com espingardas de assalto.

Cerca de 160 agentes foram mobilizados para o local, indicou o chefe da Polícia nacional, Bheki Cele, que foi falar com os habitantes. Desde segunda-feira já foram interpeladas 124 pessoas.

Durante a manhã de quarta-feira (dia do auge dos incidentes), um veículo da Polícia foi atacado com pedras e tiros esporádicos quebraram o silêncio das ruas desertas de habitantes.

Vida “parada”

Neste dia nenhum dos pequenos estabelecimentos comerciais que animam a vida do bairro abriu, nem a escola. Por todo o lodo, destroços calcinados lembram as violências dos dois últimos dias, nos quais os amotinados contiveram a Polícia local, que se viu obrigada a pedir reforços.

Os confrontos de Wesselton figuram entre as mais violentas explosões de cólera que eclodem regularmente nas antigas cidades e divisões administrativas para negros herdadas do regime do “apartheid”.

Construídas longe das cidades brancas para acolher a mão de obra maioritariamente negra, estas cidades abrigam uma população desfavorecida, que sofre um desemprego maciço e que ainda está privada de habitação decente, de água corrente ou de electricidade, apesar dos progressos registados depois do fim do regime racista, em 1994.

Eleições de nada valem

Estes protestos são “o único meio” de estas populações se fazerem entender, afirma Manotsi, de 29 anos, que nunca teve um emprego que durasse mais de um dia. “Temos de lutar”, disse, considerando que “as eleições não fazem qualquer diferença”.

O Presidente sul-africano, Jacob Zuma, eleito em Maio de 2009 com base num programa de luta contra o desemprego e a pobreza, prometeu na passada semana fazer de 2011 o ano da criação de emprego.

Com eleições municipais previstas para Maio, os habitantes de Wesselton, como a maioria dos pobres do país, denunciam a corrupção dos eleitos locais, que acusam de minarem os esforços do Governo.

Em Maio de 2008, a frustração caiu sobre os estrangeiros, com 60 pessoas mortas em motins xenófobos e dezenas de milhares de zimbabueanos, moçambicanos e imigrantes de outras nacionalidades a regressarem aos respectivos países.

Dezasseis anos depois da queda do apartheid, 43 porcento da população sulafricana continuam a viver com menos de dois dólares por dia.

O desemprego no final de 2010 estava em 24 porcento, segundo as estatísticas oficiais, mas afecta 36 porcento dos activos se se considerarem as pessoas desencorajadas de procurar emprego.

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