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Pobreza infantil cresce nos países europeus endividados

Quase um terço das crianças na Grécia, Irlanda, Portugal, Itália e Espanha foram empurradas para os limites da pobreza por causa das medidas de austeridade destinadas a reduzir a dívida pública desses países, disse, esta Quinta-feira (14), a ONG católica Caritas.

Citando estatísticas da União Europeia, a entidade beneficente disse que esses países – todos, à excepção da Itália, recebedores de ajuda financeira internacional condicionada a medidas de austeridade – estão a criar uma geração de jovens subnutridos, com moral baixo e poucas perspectivas profissionais.

“Essa pode ser a receita não só para uma geração perdida na Europa, mas para várias gerações perdidas”, disse a Caritas. Nos cinco países avaliados, o aumento na taxa de pobreza infantil coincide com o auge da crise de 2008, e cresceu ano após ano até 2011.

As estatísticas relativas a 2012 ainda não estão disponíveis. A Caritas atribui isso a medidas governamentais que afectam duramente o bem-estar das famílias, como os cortes no seguro-desemprego e em benefícios sociais, o aumento do imposto sobre consumo e a maior taxação dos combustíveis.

“Tornou-se um facto estabelecido que as crianças estão sob maior risco de pobreza do que qualquer outro grupo demográfico”, disse Deirdre de Burca, da Caritas.

As cifras da Comissão Europeia (Poder Executivo da UE) mostram que em 2011 mais de 30 por cento das crianças gregas e espanholas estavam sob risco de pobreza ou exclusão, um aumento de 4 pontos percentuais em relação a 2005.

Em Portugal, a cifra é ligeiramente inferior a um terço – 28,6 por cento. Os dados de 2011 não estavam disponíveis para Irlanda e Itália. Em 2010, 37,6 por cento das crianças irlandesas estavam ameaçadas de pobreza ou exclusão, e na Itália a cifra era de 28,8 por cento.

Uma criança é considerada sob risco de pobreza ou exclusão quando vive nas famílias em que a renda é de um máximo de 60 por cento da renda média nacional, ou em que os pais estão desempregados ou precariamente ocupados, ou nos lares onde faltam bens essenciais, como alimentos ricos em proteínas, calefacção e roupas.

A Caritas disse que os governos devem perguntar-se o que essas tendências significarão para as crianças a longo prazo. Estudos mostram que crianças nos lares pobres têm maior propensão a irem mal na escola e a terem dificuldade para encontrarem e manterem empregos.

“Elas estão a olhar para um futuro em que a perspectiva de desemprego está a estender-se à sua frente”, disse De Burca.

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