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Perito nigeriano pede intervenção militar da UA e da CEDEAO na Costa do Marfim

O especialista nigeriano em Relações Internacionais, Kabiru Mato, instou sábado a União Africana (UA) e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) a desdobrar com urgência uma força militar na Costa do Marfim na sequência da nova crise aberta com a “invalidação” dos resultados das eleições presidenciais pelo Conselho Constitucional seguida da tomada de posse do Presidente cessante e candidato derrotado Laurent Gbagbo.

“Penso que o que a União Africana (UA) e a CEDEAO devem fazer é dizer claramente a Laurent Gbagbo que ele não é a escolha do povo da Costa do Marfim e que por isso deve deixar o vencedor legítimo (Alassane Ouattara) assumir as suas funções como Presidente”, declarou Kabiru Mato, do Departamento de Ciência Política da Universidade de Abuja, na capital federal nigeriana. Mato apelou igualmente para que a CEDEAO, organização de integração sub-regional a que a Costa do Marfim pertence, e toda a comunidade internacional não reconheçam Laurent Gbagbo como Presidente da Costa do Marfim por ter sido empossado “em circunstâncias controversas”.

O especialista nigeriano reagia ao empossamento de Gbagbo, sexta-feira passada, como Presidente da Costa do Marfim depois de a Comissão Eleitoral Independente (CEI) ter declarado o seu oponente, Alassane Dramane Ouatarra, vencedor da segunda volta das eleições presidenciais de 28 de Novembro último. A sua posse resultou da “invalidação” dos resultados da CEI pelo Conselho Cstitucional que, por seu turno, proclamou o Presidente cessante, Laurent Gbagbo, como o vencedor do escrutínio depois de “anular” os votos de algumas regiões do norte e do centro do país onde teriam alegadamente ocorrido “irregularidades graves”.

No entender de Kabiro Mato, o desdobramento duma força militar pela UA e pela CEDEAO na Costa do Marfim permitirá “salvaguardar as aspirações do povo” e que deve descartar-se qualquer hipóse de Governo de união. “Um Governo de unidade nacional ou coligado não é a solução porque foram realizadas eleições e houve um vencedor”, sentenciou. Kabiro Mato advertiu igualmente contra a “mera imposição de sanções” porque, explicou, estas “revelaram-se ineficazes no passado”. ”O que temos de fazer é atermo-nos aos resultados (eleitorais) e fazer que o vencedor seja empossado. A CEDEAO tem de desdobrar uma força militar para forçar a saída de Gbagbo. Isso é melhor do que sanções”, disse Mato.

A visão de Kabiru Mato é partilhada pelo antigo pesquisador do Instituto Nigeriano dos Assuntos Internacionais (NIIA) em Lagos, Warris Alli, para quem instituições como a CEDEAO, a UA e as Nações Unidas “devem ser firmes contra ele (Gbagbo) e não permitir o seu reconhecimento em nenhum lado”. Alli descreveu a atual situação na Costa do Marfim como “muito infeliz”, afirmando que o que está a acontecer neste país da África Ocidental é uma “reedição das crises pós-eleitorais vividas, recentemente, no Quénia e no Zimbabwe” Considerou “degradante” a constatação de que “só em África é que os titulares do poder não estão preparados a deixá-lo pacificamente, mas apenas pela força”.

Ele também desencorajou a CEDEAO e a UA de qualquer tentantiva de considerar a ideia de Governo de unidade nacional como uma solução política para a crise costamarfinense, devendo apenas guiar-se pelos resultados anunciados pela CEI. “Não é apenas uma questão de sanções. Àquele homem (Gbagbo) não deve ser-lhe permitido ocupar a cadeira. Ele não deve ser ser reconhecido”, declarou.

A Costa do Marfim, primeiro produtor mundial de cacau, vinha de uma crise política que se arrastava desde o conflito militar de 2002 que dividiu o país entre o norte controlado pelos rebeldes das Forças Novas (FN) e o sul sob domínio governamental. As últimas eleições presidenciais deviam selar o fim desta crise e marcar o início do retorno do país à paz definitiva depois de uma série de acordos de paz.

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