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Pelo menos 23 pessoas mortas a tiro nos motins da Tunísia

Soldados ocupam capital da Tunísia após distúrbios

O Governo tunisino admitiu a morte de 14 pessoas nos confrontos do fim-de-semana com a polícia, mas o diário “Le Monde” identificou 23 pessoas mortas por balas. Sábado e domingo foram os dias mais violentos de uma vaga de contestação contra o desemprego que se arrasta já desde Dezembro. A oposição, reunida de emergência em Tunes, falava domingo em cerca de 20 mortos.

O diário francês conseguiu recolher o nome de 23 vítimas em três cidades: Kessarine, Thala e Ragueb. Mas sublinha que o balanço pode crescer. “Consegui visitar o hospital de Kasserine. Vi muitos feridos e também mortos, mas sou incapaz de dar números”, disse ao jornal Chabari Mezi, professor e sindicalista.

Os protestos começaram a 17 de Dezembro com o suicídio de um jovem vendedor ambulante, que se imolou pelo fogo depois de ter sido expulso pela polícia da rua em que vendia. O jovem, que acabou por morrer a semana passada, vivia na pequena cidade de Sidi Bouzid, no Centro do país. Já este sábado, outro vendedor ambulante se imolou pelo fogo na mesma cidade: Moncef Ben K., de 50 anos, está internado em estado grave.

As tentativas de suicídio em protesto contra as difíceis condições de vida têm-se multiplicado. Enquanto Moncef Ben K se imolava, a cidade de Metloui, na região mineira de Gafsa, enterrava um jovem que também se imolou pelo fogo. Ao todo, cinco pessoas já se suicidaram desde a imolação do jovem de Sidi Bouzid. Em simultâneo, todos os dias se verificam protestos em diferentes cidades.

As autoridades da Tunísia invocam “legítima defesa” para justificar a morte de 14 pessoas durante os confrontos com a polícia, nas localidades de Kasserine, Thala e Rged. A oposição tunisina apela ao Governo para pôr fim à repressão das manifestações e fala em pelo menos duas dezenas de vítimas.

O presidente Ben Ali qualificou os protestos de “inaceitáveis”. O Governo diz compreender a mensagem e mostrou-se aberto a fazer concessões aos jovens. As lojas e os edifícios públicos têm sido o palco dos ataques, desde que começaram as manifestações contra a elevada taxa de desemprego.

Os jovens, que clamam por empregos, constituem 70 por cento da população no país, assim como na vizinha Argélia, igualmente abalada por uma vaga de protestos similares.

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