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Pelo menos 16 pessoas morrem no dia da posse presidencial na República Centro-Africana

Pelo menos 16 pessoas morreram em confrontos na República Centro-Africana, esta quinta-feira (23), enquanto uma nova presidente interina, Catherine Samba-Panza, assumia o poder com um apelo para as milícias deporem as armas e, assim, acabar com a escalada da violência inter-religiosa.

Quase 1 milhão de pessoas, ou um quarto da população da ex-colônia francesa, deixaram as suas casas por causa dos conflitos que começaram quando os rebeldes armados do grupo Seleka, na maioria muçulmanos, tomaram o poder num golpe de Estado em Março. Grupos cristãos de autodefesa, conhecidos como “antibalaka” (antimachete), passaram a pegar em armas contra o Seleka.

A Organização das Nações Unidas estima que a violência na base da retaliação de uns contra os outros tenha causado a morte de mais de 2.000 pessoas desde Março. Uma força de intervenção francesa e milhares de soldados de uma força de paz africana não conseguiram deter as matanças, e nos últimos dias a situação ficou pior na capital, Bangui, e no noroeste do país.

Pelo menos 16 pessoas morreram na capital, esta quinta-feira, segundo a Cruz Vermelha. Catherine, edil de Bangui escolhida na segunda-feira como presidente interina por uma Assembleia de transição como parte de um plano para restaurar a ordem, disse que está a assumir o leme de um país em caos.

“É urgente que a autoridade e a segurança do Estado sejam restabelecidas no país inteiro”, afirmou ela no discurso inaugural, na presença do ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, e líderes regionais.

“Peço aos antibalaka que mostrem patriotismo e deponham as suas armas. Esta permanente desordem não será tolerada”, afirmou. Ela assumiu o poder depois de Michel Djotodia, ex-líder do Seleka, ter renunciado a 10 de Janeiro, depois de intensa pressão internacional. Centenas de saqueadores invadiram áreas muçulmanas de Bangui nesta quinta-feira, queimando casas e carregando móveis e telhados de metal.

O presidente da Cruz Vermelha no país, Antoine Mbao Bogo, disse que o bairro de PK12, no norte, era o epicentro do caos. “Há cenas de xenofobia, em que as pessoas esfaqueiam umas às outras porque são de grupos étnicos diferentes. Houve 16 mortes de maneira atroz”, disse ele à Reuters.

O ministro francês da Defesa, Jean-Yves Le Drian, declarou, esta quinta-feira, que as forças internacionais enfrentam uma tarefa difícil para encerrar o profundo ciclo de violência. “Há um nível de ódio inacreditável. Não há dúvida de que nós subestimamos o grau de ódio, o desejo de vingança entre o Seleka e as milícias antibalaka”, disse ele ao canal de TV francês iTele.

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