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A caminho dos jogos africanos: pedalar sem bicicletas adequadas

A realização dos 10º Jogos Africanos em Moçambique vai deixar, com certeza, vários legados. Desde a estruturação das várias modalidades desportivas em que os moçambicanos vão competir e até mesmo o despertar no público o gosto por outras modalidades, que não seja o tradicional futebol ou basquetebol, o que levará ao surgimento de novos praticantes e, quiçá, no futuro, ao aparecimento de novos campeões.

No ciclismo já se começa a sentir o impacto. Há cerca de um ano, quando pela primeira vez falámos do ciclismo em Moçambique nem sequer a federação da modalidade estava a operar. Hoje ela existe e esforça-se, a contra-relógio, por garantir a melhor preparação possível para os seis atletas que irão compor a selecção nacional, que deverá competir nos Jogos.

O pelotão, formado por um universo de cerca de meia centena de atletas em todo o país, é conduzido por Danilo Correia, o presidente, que tomou posse há cerca de um mês.

As dificuldades, para não destoar das restantes modalidades em Moçambique, são imensas. A principal é que até hoje as bicicletas de competição não foram fornecidas pelo Comité Organizador dos Jogos Africanos (COJA).

Uma bicicleta usada em competições de alto nível, além de ter uma arquitectura voltada para o formato aerodinâmico, deve ser leve, resistente e veloz. Mas os atletas vão treinando com as suas próprias bicicletas e tentam colocar-se ao seu melhor nível para os Jogos.

Nesta competição, iremos poder assistir ao ciclismo de estrada com provas de contra-relógio individuais e por equipas. Os ciclistas masculinos deverão percorrer até 150km enquanto em femininos a prova deverá ter até 80km.

Existem indicações de que o trajecto deverá começar na baixa da cidade de Maputo, seguir em direcção à vila da Namaacha e regressar ao ponto de partida. Outro percurso será a partir da baixa da cidade de Maputo em direcção a Marracuene e regresso ao ponto de partida.

Percurso perigoso

Como já escrevemos nesta coluna, o trânsito automóvel em Maputo será um dos grandes obstáculos aos Jogos Africanos. Referimos, inclusive, que o COJA conta com a colaboração dos munícipes de Maputo e Matola durante os dias dos Jogos e, no caso vertente, os automobilistas terão de melhorar o seu comportamento.

Os ciclistas moçambicanos ainda têm na memória o recente atropelamento do atleta, e um dos mais incansáveis dinamizadores da modalidade, Imbrani Akuji quando pedalava a sua bicicleta na estrada nacional número 1.

Os resultados desportivos que se podem esperar da selecção nacional de ciclismo são poucos. Abre-se certamente uma oportunidade de competição com os melhores ciclistas do continente, nomeadamente de Eritreia, África do Sul, Argélia, Quénia, Maurícias, Camarões, Nigéria, Etiópia, Namíbia e Ruanda.

Resta a consolação de que, pelo menos, ficarão bicicletas de qualidade para os praticantes actuais, e novos, continuarem a pedalar.

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