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Paz é um projecto inacabado: Chissano

O antigo Presidente moçambicano, Joaquim Chissano, considera que a paz alcançada pelo país, há 19 anos, com o fim da guerra dos 16 anos, movida pela Renamo, ainda é um projecto inacabado que deve ser alimentado com acções concretas.

O antigo estadista moçambicano não esteve presente na cerimónia ecuménica de celebração da passagem, Terça-feira, de mais um ano do Acordo Geral de Paz (AGP), mas a sua mensagem foi apresentada pelo diplomata Francisco Madeira.

“A paz é um projecto que tem de ser implementado e alimentado, com coisas muito concretas.Uma dessas coisas é a consolidação da visão comum de que o que é feito no país é de todos os moçambicanos”, disse Madeira.

Ele disse ser necessário que todos os moçambicanos se esforcem para manter a paz, o desenvolvimento, e se juntem no combate a pobreza. Para o efeito, é preciso haver reforço das instituições, incluindo de organizações da sociedade civil, empresariado e do próprio Estado.

Segundo a fonte, é necessário que os moçambicanos tenham um Estado forte, com uma justiça que funciona e que é sensível as acções e percepções da população.

“Só com essas referências podemos continuar a consolidar a paz. Quando nós conseguimos construir uma auto-estrada, quando conseguimos tapar todos os buracos de uma estrada, estamos a consolidar a paz. Quando temos linha-ferrea, por exemplo, estamos a dar conteúdo a paz e ao próprio AGP”, sublinhou ele.

As mensagens apresentadas na ocasião deram enfoque a importância da preservação e consolidação da paz bem como apelam aos moçambicanos a continuarem abraçados a esse valor.

Além do Chefe do Estado, Armando Guebuza, e outros membros do Governo e representantes de diversas confissões religiosas, e o Presidente do Partido para a Paz, Democracia e Desenvolvimento (PDD), Raúl Domingos, na sua qualidade de um dos negociadores chefe do AGP, na altura como membro sénior da Renamo, partido do qual foi expulso em 2000.

Na sua intervenção, Raúl Domingos disse que o sucesso e consolidação da paz em Moçambique se tornou numa referência internacional e tem vindo a inspirar teses de graduação e pós graduação.

Contudo, ele disse lamentar a alegada existência de políticos insensatos que, segundo ele, conspiram contra a paz, aprovando leis, regulamentos e normas que promovem a exclusão, a descriminação e repressão de milhões de moçambicanos, alegando que o AGP é um instrumento caduco e fora de uso.

“Esta dura realidade mostra que nem sempre a paz tem amigos e apoiantes, pois são enormes as ameaças à sua preservação. Cientes destes desafios, é imperioso que se façam esforços para implantar a paz na mente dos homens”, disse ele.

Raúl Domingos destacou ser urgente que as escolas do país passem a ensinar a paz e direitos humanos para que as crianças e jovens que não experimentaram os horrores da guerra cresçam como “verdadeiros embaixadores da paz no paz”.

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